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A REVOLUÇÃO NÃO É O CONVITE PARA UM JANTAR

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Por Celso Lungaretti "A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra." Não sou fã incondicional do velho Mao Tsé-Tung, mas ele tinha lá seus momentos. Esta frase é uma pérola. Muitos companheiros estão assustados com o rumo que os protestos de rua tomaram em Sampa. Como a participação da direita fardada foi catastrófica, agora é a direita de jeans que reage ao movimento, com mais argúcia. E, também, com uma aparente   forcinha   do PT. Não dá para acreditarmos que o Rui Falcão mandasse militantes embandeirados para o olho do furacão sem prever que seriam hostilizados. Meu palpite é bem outro:  ele queria que acontecesse exatamente o que aconteceu. Era óbvio que a dire...

CAIU NOSSA BASTILHA

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Por Celso Lungaretti A  tomada da Bastilha foi um episódio de enorme importância simbólica, por ter exposto dramaticamente a fragilidade de uma monarquia que caía de podre mas os franceses, por hábito, continuavam temendo; daí o 14 de julho haver se tornado o principal feriado da nação. Seu resultado prático, contudo, foi apenas a libertação dos sete últimos prisioneiros que nela restavam e a obtenção de um arsenal sucateado (de 15 canhões, apenas três funcionavam...). Da mesma forma, o que nossos   indignados   acabam de conseguir não foi somente a revogação, em poucas capitais, de mais um reajuste de tarifas do transporte coletivo.  Na verdade, eles despertaram um gigante adormecido: o povo brasileiro. A chegada ao poder do partido que se propunha a representar os explorados teve o efeito nocivo de os desmobilizar; passaram a crer que lhes seria dado de mão beijada o que tinham, isto sim, de conquistar com os punhos cerrados. Quando o...

O ESPECTRO DE UMA NOVA '5ª FEIRA NEGRA' NOS RONDA

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Por Celso Lungaretti A utoridades, políticos, jornalistas, sociólogos chutam em todas as direções, na tentativa de interpretar o novo fenômeno: um despretensioso protesto contra o aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo inspirou manifestações semelhantes em outras 11 capitais, levou às ruas centenas de milhares de cidadãos e comprovou dramaticamente que o autoritarismo continua bem vivo nos aparatos de segurança pública, 28 anos depois de finda a ditadura militar.   Desde o  Fora Collor! , em 1992, não se via algo assim. E, como a bandeira dos manifestantes não é única –vai desde as maracutaias da Copa até o descaso com a Saúde e a Educação, passando por muitas outras mazelas de nossa democracia imperfeita--, também não vai ser uma única medida que fará cessar os protestos. Eles começaram e não têm data para acabar; se os governantes não fizerem algumas concessões plausíveis (depois da orgia de gastos do Mundial, soam ridículas as dificuldades ale...

VIOLÊNCIA POLICIAL COMEÇOU COM PROVOCAÇÃO DA TROPA DE CHOQUE

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Por Celso Lungaretti A  imprensa e os políticos reagiram exatamente como esperado à violência extrema que a Polícia Militar paulista desencadeou contra manifestantes, jornalistas, transeuntes e até fregueses dos botecos na   5ª feira negra : houve os que protestaram, houve os que justificaram, ordenaram-se investigações e é provável que um ou outro gato pingado venha a ser punido. Depois, o esquecimento. Inconcebivelmente, nem a própria  Folha de S. Paulo  deu a devida importância à contundente denúncia do seu renomado colunista Elio Gaspari, de que  tudo transcorria de forma pacífica até que duas dezenas de policiais engendraram o caos: " Num átimo, às 19h10, surgiu do nada um grupo de uns 20 PMs da Tropa de Choque, cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista. Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio... Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar ...

POLÍCIA DO ALCKMIN MATA SAUDADES DA DITADURA

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Celso Lungaretti N unca me senti tão velho como nesta 5ª feira (13), quando, acamado com forte gripe, só fiquei sabendo pela mídia e pelas redes sociais que a Polícia Militar barbarizara o centro de São Paulo, reprimindo bestialmente os manifestantes que (até então) protestavam pacificamente contra o aumento das tarifas de transporte coletivo. Foi a confirmação do que venho alertando há anos (vide   aqui , p.  ex.): está em curso uma escalada de fascistização em São Paulo, orquestrada pelo governador   Opus Dei   Geraldo Alckmin, com a cumplicidade de figurinhas carimbadas como o reitor   TFP   João Grandino Rodas (da USP) e tendo como principais provocadores os brucutus da tropa de choque da PM, vulgo Rota (aquela que se orgulha de ter coadjuvado o terrorismo de estado nos   anos de chumbo , que é sempre denunciada pelas entidades internacionais de defesa dos direitos humanos por suas execuções maquiladas em   resistência à ...

TRIBUTO DE GRATIDÃO AO IMPRESCINDÍVEL JACOB GORENDER

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"...há os  que  lutam  toda  a  vida  e  estes  são  imprescindíveis "                                                                               (Brecht) D os grandes dirigentes revolucionários forjados pelo PCB na primeira metade do século passado, Jacob Gorender foi o último a sair de cena, ocupando agora seu honroso lugar na História, ao lado de Apolônio de Carvalho, Carlos Marighella, Giocondo Dias, João Amazonas, Joaquim Câmara Ferreira, Luiz Carlos Prestes, Mário Alves, Pedro Pomar e outros titãs que, a partir da origem comum, tomaram rumos políticos diferentes, mas permanecerão juntos na memória do povo brasileiro. Para quem quiser saber mais sobre a trajetória do  imprescindível  Gorender, recomendo  este...

veja COMO FEDE!!!

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D epois do luto pelo patrão que morreu quando sua empresa começava a fazer água por todos os lados, a revista  veja  arrancou a máscara de dr. Jekyll temporário e reassumiu sua identidade permanente de mr. Hyde: a matéria de capa desta semana é simplesmente grotesca, um verdadeiro estupro das boas práticas jornalistas, começando pela utilização, como   gancho , da biografia tendenciosa, insignificante e medíocre que um editor da própria revista escreveu sobre o Zé Dirceu. Não sou defensor incondicional do Zé, muito pelo contrário. Jamais deixarei de encará-lo como o principal responsável pela domesticação do PT a partir de 2002, quando o partido abdicou definitivamente de quaisquer veleidades revolucionárias, aceitando perpetuar a política econômica do FHC como contrapartida para que a burguesia consentisse na chegada de Lula ao poder. Foi o Zé que sentou-se à mesa com os grandes empresários e banqueiros para fechar o acordo que feriu de morte a esquerda brasilei...