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EDITE DE LIMA PEIXOTO MINHA MÃE

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  “Qua ndo a lama virou pedra e mandacaru secou, quando ribançã de sede bateu asas e voou; foi aí que eu fui me embora carregando a minha dor; hoje eu mando um abraço p'ra ti pequenina: Êta pau pereira que a princesa já roncou; êta paraíba mulher macho sim senhor. êta pau pereira meu bodoque nem quebrou hoje eu mando um abraço p'ra ti pequenina. Paraíba masculina mulher macho sim senhor.Saí p'ra lá peste! “ — 64 anos de vida minha desfez hoje. O que posso dizer para ela num dia como esse? Que viva mais, muito mais e melhor. Que consiga colher cada dia como se fosse o último. Aprendi, com Rubem Alves, um pastor herético que gostaria muito que ela amasse também que a palavra que melhor expressa esse desejo é carpe die . “Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente. — Sei que mais de meio século minha mãe viu, senti...

No império do “ponhar”: Um tipinho do caipira deste lugar.

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1- Há um lugarzinho, neste lugarzinho do mundo, onde o ponhar reina em absoluto. No café da manhã, almoço e jantar: é socialmente natural ouvir quase todo mundo se “ponhar” a falar. Fala-se assim com tamanha freqüência que gente da cidade grande só faz estranhar. No cotidiano desse lugar: é comum que famílias “ponham” água prá ferver e café tomar. Roupas sujas são “ponhadas” na máquina para bater e depois secar. Lá, certos donos de casas, desenganado por médicos, saem de madrugadinha prá num papé fuminho “ponhar” e escondido fumar. Roupas se põem , não se veste. Algumas de suas mulheres jamais chifres gostam de colocar preferem “ponhar” . Outras, as mais honestas, acham melhor no do marido, no C d ele: “ponhar” . 2- Nesse império é comum: muitas pessoas só saberem nos outros ponhar . Sempre prá trás e atrás: nunca para frente, para que se possa andar. Quem nesse mundo não nasceu para “ponhar” : nada dele pode levar. Basta apenas su-“ponhar” algo de errado no estranh...

Se eu não “ponhar” amor....

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 Crônica dum coração exilado           Brincando com as palavras sagradas, eu passo a mostrar para todos os que me lerem um caminho sobremodo cuidadoso que alguns familiares, pais mães ou irmãos trilham com o intuito de estragar a relação entre duas pessoas, entre alguém da família com alguém de fora dela. No relaciomento entre quem cresceu numa família rural e quem cresceu numa família urbana. Seja esta uma amizade ou um casamento. Algo que eu mesmo estou experenciando.   1- Ainda que eu fale a língua dos roceiros melhor que os próprios roceiros e pense igualzinho a eles: se algum deles não “ponhar” amor, nada do que possa dizer fará sentido algum para os mesmos.   2- Ainda que eu durma e acorde bem cedinho e capine toda roça, minha e deles, inteira: se algum deles não “ponhar” amor, é como se o mato, a tiririca e as ervas daninhas nunca tivesse parado de crescer. 3- Ainda que eu conheça toda a ciência, seja um in...

DIÁRIO DO EXÍLIO- 04

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Um dia de domingo qualquer? ruim de moura, chuvoso, triste e sem graça 07 de fevereiro de 2010 1-Deixara-me só já pela manhã. Bem que fui convidado a ir junto, mas não tive ânimo para lhes acompanhar. Com certeza eu não seria uma boa companhia da minha esposa, minha filha Janyne e minha sobrinha Melissa na ida deles a casa da minha sogra. A manhã até que fez um sol e ventou um pouco. A chuva, como tem sido a praxe por aqui, apareceu no fim da tarde, início da noite. 2- Permaneci quase todo este tempo sentado a frente do computador olhando e arrumando alguns artigos e dissertações referentes à sociologia da religião, captadas no dia anterior no site de busca Google numa lã house num lugar chamado aqui de “Cidade Baixa”, isto é, centro da cidade. Paralelo a isso, ouvia o CD do João Alexandre acústico na esperança de manter o pouco de disposição, vontade, emoção, força, pensamento, devaneios e não ser dominado por completo pela horrível melancolia qu...

DIÁRIO DO EXÍLIO -03

Sábado, 30 e domingo, 31/01/2010 Impressões momentâneas. 1. Só para não passar em branco, neste sábado fui convidado pelo meu cunhado a assistir a reunião do diretório municipal do PT. Não havia 30 ouvintes contando conosco. 2. A reunião estava de certa forma, organizada. Havia uma pauta definida e tempos bem cronometrados. Mas não vi nenhuma leitura da ata da reunião anterior e nem registro em ata da presente reunião. Os temas principais foram às eleições de 2010; a instalação da CPI pela câmara de vereadores para investigar denúncias contra o prefeito em exercício pelo grupo da ex-prefeita Milene Mota e a prestação de contas. 3. Resumidamente, todas as falas no tocante ao primeiro tema revelaram mais as fraquezas do partido que as suas virtudes. Há um desejo que haja um deputado estadual da região, isto é, de Rolim. Mas uma confusão quanto à questão da candidatura. Há quem defenda uma só de consenso e há quem, veementemente, defende o oposto. Tal preocupação se estende ao resto ...

DIÁRIO DO EXÍLIO 02

O BANZO ME ATACA DE NOVO HOJE MONÓLOGOS.28/01/2010 A título de introdução... Não é fácil se livrar do “banzo”. Sentimento descrito por algumas histórias como tristeza profunda que toma conta de todo desterrado de corpo ou alma. Doença de escravo no Brasil colônia e império. Mas que não se restringiu a eles e nem ao tempo deles. Pelo o menos em mim ele passeia. Então, passei a ler. Da leitura fui destacando alguns pensamentos com as quais me identifico. Daí brotou alguns pensamentos em mim. Tratei então de por no papel o que se pintava na minha cabeça. Para começar ou abrir meu apetite li o seguinte fragmento: “Acredito que o mundo é governado por uma vontade poderosa e sábia; eu o vejo, ou melhor, eu o sinto e é que me importa saber. Mas este mundo é eterno ou foi criado? Haverá dois ou muitos? E qual sua natureza? Não sei e pouco me importa... Há, portanto no fundo das almas um princípio inato de justiça e de virtude de acordo com o qual... julgamos boas ou más nossas ações e as...