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Recado dos Autores

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Seremos o Renan Calheiros de amanhã?

O efeito Orloff das injustiças e demais maldades praticadas hoje pelo governo golpista, pelo parlamento de maioria corrupta e pelo STF.

DesProf.Peixoto

Nos anos de 1980 do século passado, existia um anúncio, uma propaganda comercial de uma vodca chamada Orloff que pode servir de alegoria do destino da maioria dos brasileiros se esta maioria não reagir com força e inteligência ao que o chamado Congresso Nacional, Presidência da República e STF, superior tribunal federal está fazendo hoje.
O referido comercial mostrava um sujeito bem vestido e penteado que olhava para o espelho antes de sair de casa, à noite, e se via com cara de ressaca, olheiras enormes, um horror. Este sujeito então perguntava à imagem quem ela era, e ela respondia: “Eu sou você, amanhã”. A propaganda da vodca Orloff, pretendia convencer as pessoas que, se a tomassem hoje, evitariam aquela triste e horripilante figura amanhã.
Ficou tão famoso, que cunhou o chamado “Efeito Orloff” que, no atual momento da vida nacional, serve para explicar o horror que a vida do povo brasileiro se tornará se continuarem fielmente acreditando e obedecendo a instituições tipo: Congresso Nacional, Presidência da República, STF, Voto Obrigatório, Educação e afins.
Pois não é possível esquecer o “Efeito Orloff” ao observar o comportamento das, até agora, das instituições “sérias” dessa “República” de uns poucos Filho de uma puta que estão no poder. É impossível não pressentir tal efeito Orloff quando observamos o Senador Renan Calheiros do PMDB de Alagoas simplesmente desobedecendo de imediato uma ordem judicial e o Supremo Tribunal Federal não o punindo por isso. Quando o STF permite que juízes sejam parciais, seletivos e existam para manter a ordem injusta vigente e a propriedade privada de poucos.
É impossível não pressentir tal efeito Orloff quando vemos a Presidência da República nas mãos do governo golpista de Michel Temer se entrincheirando nela para promover a maior quebra de contrato da história do País contra o próprio povo que ele, infelizmente, governa, preservando apenas o contrato com a classe dominante a qual serve de forma tão fiel. A “PEC 55”, a “reforma” do Ensino Médio e a “reforma” da Previdência que estão patrocinando, da forma como estão fazendo e com as medidas que querem nos impor rompe definitivamente com todas as conquistas previstas na Constituição Federal de 1988. Este governo e a elite querem matar o País para preservarem-se.
É impossível não pressentir tal efeito Orloff quando vemos o Parlamento, cuja maioria absoluta, é formada por ladrões e salteadores, covardes, autoritários, palhaços, misóginos, homofóbicos, machista, latifundiários, correntistas, patifes, vigaristas e evangélicos que só tem compromisso apenas consigo mesmo e com quem pagou pela sua campanha eleitoral, que não representa em nada o povo pobre que não tem como se defender deles. Apenas existe para dá legalidade ao que os ditos poderes executivos e judiciários fazem.
O que o efeito Orloff de todas essas injustiças e demais maldades praticadas hoje pelo governo golpista, pelo parlamento de maioria corrupta e pelo STF já está nos causando? O exemplo de Renan Calheiros e demais representantes dos demais poderes já estão nos ensinando que...

1. Embora a Constituição diga que a Educação é um dever do Estado e uma obrigação da Família, Mães e Pais, não acreditem nessa mentira! O Estado deve, mas nunca paga, só resta à obrigação para você. Rasguem essa merda! Só mandem seus filhos para a Escola Pública para merendarem! Ao invés de colocarem seus filhos na escola, coloquem para trabalhar! Afinal, estudar pra quê? Para ser um fodido escolarizado? Quanto mais cedo a pessoa trabalha, mais cedo ela se aposenta se tiver sorte!

2. Maridos amem sua esposa, mas se derem bobeira e incorrem contra a lei Maria da Penha: jamais atendam a uma intimação, fujam! E Mulheres, se você for vítima, vinguem-se na primeira distração do agressor, não esperem que a justiça faça algo por você.

3. Pagadores de Pensão alimentícia, sejam homens, sejam mulheres, fujam de todos agente da justiça ou vá feliz para a prisão, mas, não paguem esta porra de pensão!

4. Quando virem à distância uma blitz, avisem a todos pelo whatsap para que possamos ganhar tempo até podermos pagar pela permissão, pagar o suborno ao Estado de transitar em via pública por mais tempo.

5. Trafiquem, comprem gasolina da Venezuela ou qualquer país fronteiriço! Não usem gasolina nacional, porque não existe gasolina nacional! A chamada gasolina nacional vendida pela PETROBRAX [antiga PETROBRAS] é dos americanos e eles não cobram barato. Sejamos solidários como os demais lascados latino-americanos: compremos deles a gasolina que precisamos!

6. Mantenham-se o mais longe possível de qualquer viatura policial, se quiser continuar vivo e com seu dinheiro. A polícia não existe para te proteger, mas para te conter e reprimir! Policiais, salvo exceções, são pagos para isso. Militares principalmente. Uma das provas disso é que a reforma da previdência que o Temer quer enfiar no traseiro do povo pobre, deixa eles de fora.

7. Se não tem emprego formal, entrem na informalidade. Vendam tudo o que for obtido pela pirataria. Sobreviva não importando como! E não sustentem essa elite desgraçada deste país! Não se esqueça que eles só são ricos as suas custas.

8. Se a energia subir de preço recorra aos gatos. Se cortarem sua energia, ligue de novo! O mesmo raciocínio se aplica a água. Se privatizarem esse bem que é público, socialize-os na marra! Não seja otário em sustentar os futuros “donos” desse bem público!

9. Se um pobre roubar outro pobre, façam justiça com as próprias mãos. Se o rico roubar o pobre, sabotem o rico. Façam o que for preciso para acuá-lo, deixa-lo aterrorizados, lutem contra todos os que o ameaçarem.

10. Produzam sua própria mídia e imprensa, pare de ser bobo e de assistir a Globo, a Record ou qualquer mídia das elites e abandonem sua religião se esta estiver do lado do patrão e vivendo à custa do teu suor. Invente outra diferente, melhor ou não siga ninguém!

Enfim, descumpram toda e qualquer ordem judicial! Rompa com a ordem! Se o Senador Renan Calheiros pode fazer isso porque nós não pudemos? Eis a grande lição do Renan: sejamos anarquistas! Viva o anarquismo!

domingo, 27 de novembro de 2016

O OUTONO DO PATRIARCA CHEGA AO FIM: FIDEL CASTRO ESTÁ MORTO.

A entrada vitoriosa em Havana, no início de 1959.
Fidel Castro, comandante da revolução cubana e principal dirigente do país durante 47 anos, faleceu na noite de 6ª feira, 25.

Foi personagem marcante da segunda metade do século 20, mas sua estrela vinha se apagando desde o fim da União Soviética e do bloco socialista por ela encabeçado.

Em seguida foram suas forças físicas que declinaram, a partir da primeira hemorragia que sofreu em 2006, como consequência de uma doença nos intestinos.

Foi então que, sabendo-se impossibilitado de “assumir uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total”, ele, dignamente, trocou a farda pelo pijama. 

Havia liderado uma heroica revolução em 1959 e depois tentou romper o isolamento a que os Estados Unidos submeteram Cuba incentivando guerrilhas similares noutros países do continente americano (enquanto Che Guevara tentava a sorte no Congo, igualmente em vão).

O resultado acabou sendo o mais indesejado possível: a ocorrência de banhos de sangue e a proliferação de ditaduras direitistas, pois os EUA cuidaram ciosamente de evitar a propagação do mau exemplo no seu quintal. [Êxitos verdadeiros, Cuba só colheu em lutas de libertação nacional, ao ajudar, com tropas, munições e outros recursos, países africanos que confrontavam o colonialismo português.]
Fidel e o Che, no melhor momento de ambos.
Curvando-se à evidência dos fatos, Castro foi obrigado a domesticar sua revolução para garantir-lhe a sobrevivência, ainda que desfigurada.

Desistiu de exportá-la e a institucionalizou, repetindo os mesmos desvios autoritários e burocráticos que engessaram a congênere soviética (a qual, com seu ímpeto transformador estancado, acabou sendo retirada de cena em 1989).

Aposentado compulsoriamente, Fidel durou até os 90 anos, mas os últimos dez não contam: tornara-se um inativo político.

Foi grande um dia, mas decerto não se interessava pelo rock, daí ter passado batido pelos conselhos de Pete Townshend ("Prefiro morrer antes de envelhecer") e Neil Young ("É melhor consumir-se em chamas/ do que definhar aos poucos").

O Che escutou: morreu na hora certa.

SEU PERFIL ERA DE LIBERTADOR – Castro nunca pretendeu revolucionar o mundo, como Marx, Lênin ou Trotsky. Aspirava apenas a ser o libertador de Cuba, livrando-a da ditadura corrupta de Fulgêncio Batista, que fizera da ilha um centro de entretenimentos para turistas ricos interessados em prostituição, jogatina, canciones calientes, drogas... e discrição.
Cuba: humilhada na crise dos mísseis.

Os tão alardeados paredóns (as execuções de inimigos, durante a guerra de guerrilhas e depois da tomada do poder) inserem-se perfeitamente na tradição sanguinária das rebeliões latino-americanas.

Até então, Fidel pouco mais era do que um caudilho típico da região, o filho de latifundiários que abraça a causa dos pobres e se torna seu general. Chegou a declarar enfaticamente que não havia “comunismo nem marxismo em nossas idéias, só democracia representativa e justiça social".

A hostilidade exacerbada dos EUA ao novo governo acabou jogando-o nos braços da URSS, pois só a outra potência mundial poderia dar-lhe alguma chance de sobrevivência face ao poderoso vizinho que lhe impunha um embargo comercial, apoiava invasões armadas e promovia atentados terroristas (vários planos mirabolantes da CIA para matar ou desmoralizar Castro fracassaram).

A contrapartida ao guarda-chuva protetor foi a completa submissão da ilha às imposições soviéticas, com a adoção do modelo stalinista de socialismo num só país: economia totalmente estatizada, autoritarismo político e submissão da classe trabalhadora à burocracia que a deveria, isto sim, representar.

Aparentemente, Castro ainda tentou escapar dessa armadilha, ao concordar com os planos de Che Guevara para levar a revolução à África e, principalmente, levantar a América do Sul.

Com a execução a sangue-frio do Che e o extermínio dos principais movimentos revolucionários latino-americanos, Fidel teve de se conformar com o isolamento em relação a seus vizinhos e a dependência de um aliado distante e arrogante.
Um sucesso incontestável: o sistema de saúde cubano.
Ao monumental sapo engolido em 1962, quando Nikita Kruschev nem se deu ao trabalho de consultar Cuba antes de acertar com os EUA a desmontagem das bases de mísseis instaladas na ilha, seguiram-se outros, sempre indigestos e, ainda assim, digeridos.

Para compensar, Castro obtinha ajuda econômica que lhe permitiu oferecer condições de existência minimamente dignas para o conjunto da população, com destaque para as realizações marcantes em educação e saúde.

Se pessoas mais capazes e empreendedoras se ressentiam por estarem sendo impedidas de obter a condição diferenciada que seu potencial lhes asseguraria alhures, acabando por emigrar de um jeito ou de outro, é certo também que a grande maioria considerava sua situação melhor do que era antes.

Daí a gratidão e carinho que tributava a Fidel, apesar da falta de liberdade e da gestação de uma odiosa nomenklatura, reproduzindo a distorção soviética: onde todos deveriam ser iguais, a burocracia partidária e governamental concedia privilégios indevidos aos seus membros, tornando-os mais iguais.

APÓS O FIM DA URSS, A AGONIA LENTA – A situação, que começara a mudar com a Perestroika, tornou-se crítica após a derrubada do muro de Berlim e o fim do socialismo real no Leste europeu.
Cubanos fugindo de bote: a mídia ocidental adorava.

Ao deixar de ser sustentada pela União Soviética, que lhe injetava recursos e a utilizava como um cartão postal do (que ela pretendia ser o) comunismo, Cuba atravessou uma gravíssima crise econômica, até reaprender a andar por suas próprias pernas. 

Daí as fugas da ilha com barcos improvisados terem chegado ao auge na década de 1980, para júbilo da mídia ocidental. Até o remake de Scarface (d. Brian De Palma, 1983) a incluiu, fazendo uma marota atualização do filme original (d. Howard Hawks, 1932). 

O pior acabou passando, mas os tempos heroicos também. O povo cubano não era o mesmo que se orgulhava de haver reconquistado sua dignidade, com a ilha deixando de ser bordel dos estadunidenses. Tais lembranças haviam se tornado muito distantes. E a penúria, muito presente.

Então, o debilitamento da saúde de Fidel veio a calhar para que Raul Castro, governante menos carismático mas também menos identificado com excessos do passado, lançasse e fosse implementando sua abertura lenta, gradual e segura (o paralelo com a flexibilização do regime militar brasileiro sob Ernesto Geisel tem tudo a ver...), visando ir normalizando pouco a pouco suas relações econômicas com os países capitalistas. 

Quanto a Fidel, acabou tendo seu destino atrelado à bipolarização do poder mundial, que, enquanto durou, permitiu-lhe inflar demais o balãozinho cubano. Mas os ventos mudaram e, no fim da linha, o esperava a agonia lenta.
2013: sua última aparição em público.
Em circunstâncias quase sempre dificílimas, Castro fez o melhor que pôde por seu povo e seu país – não pelo marxismo ou pela revolução mundial, que nunca foram suas verdadeiras devoções.

Quando se puder avaliar seu papel sem exageros propagandísticos e tiroteios ideológicos, deverá ser reconhecida, sobretudo, sua vontade inquebrantável, que o fez ser reconhecido como um titã, apesar da ínfima importância geopolítica da nação que representava.

O século 20 finalmente terminou. E o atual, em termos de grandes personagens históricos, é um deserto. (por Celso Lungaretti)

SOBRE O MESMO ASSUNTO, CLIQUE aqui P/ LER A ERA FIDEL, DE DALTON ROSADO.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Lula é vítima de Lawfare? Mas o que é isso?



Na busca de justiça, vale qualquer meio?

O texto do senhor Wagner Francesco incomoda quem gosta de pensar de maneira séria e honesta porque provoca, entre outras possíveis questões, essa pergunta acima. Pessoas movidas, antes de tudo, pela raiva, são insanas quando estão em situação de poder. Quando prestamos atenção, mais muita atenção mesmo, nos detalhes do jeito como o juiz Sérgio Moro se comporta, nas sutilezas, temos condições de duvidar dele e ver que o mesmo não age com a imparcialidade que a doutrina jurídica diz que um juiz deve agir. Só estando cego de raiva do PT e do Lula em especial, cego pelo ódio visceral, para DEFENDER este comportamento parcial do referido juiz. Para não ver o quanto esse juiz manipula e impede inclusive que a defesa tenha, em tempo hábil, todo o material da denúncia na intenção de fragilizar e inutilizar a ampla defesa do acusado. É claro que de uma forma ou de outra outros agem assim, mas este juiz em especial consegue se destacar. Todavia, o jeito duvidoso e chamativo de agir desse juiz tem algo de bom: mostra para todos os que se interessa pelo tema justiça que IMPARCIALIDADE É UM MITO! Gente como Sérgio Moro e tantos mais não buscam justiça, busca revanche, vingança e manda um recado para os que não podem pagar um advogado: desistam! A justiça é falha e é uma mercadoria para poucos que podem pagar e ainda depende da situação política em jogo. É triste, mas a vida é assim mesmo. Boa leitura. Desprof.Peixoto

Lula é vítima de Lawfare? Mas o que é isso?

Os advogados do Lula deram (mais) um argumento para rebater as denúncias contra seu cliente: segundo eles, "Lula é vítima de ‘Lawfare’.

Mas o que é Lawfare? A grosso modo, é uma guerra travada por meio da manipulação das leis para atingir alguém que foi eleito como inimigo político. É o uso (muitas vezes) abusivo da lei como uma arma de guerra. É a estratégia de utilizar - ou abusar - do direito como um substituto de tradicionais métodos militares para obter sucesso em um conflito.

Ora, numa democracia é necessário que a lei seja obedecida; o Estado, dessa forma, se vale do uso da lei para atacar aqueles/aquilo que considera como inimigo. Desenhando: dar um ar de legalidade aos abusos. Sabe quando alguém diz que apesar do impeachment ter seguido os trâmites legais, ainda assim ele foi golpe? Tipo quando o diabo, para tentar Jesus, usou as palavras de Deus? Pois, quem defende isso defende que houve, no Brasil, uma Lawfare e que Dilma saiu derrotada...

Segundo os advogados do Lula, há a prática de Lawfare, pois, para deslegitimar o ex-presidente, há manipulação do sistema legal, abuso de direito, tentativa de influenciar a opinião pública, judicialização da política e promoção de desilusão popular. Isso porque uma "guerra legal" parte da ideia de que um grupo político vai tentar usar a lei para impedir ou punir a ação de outro grupo político - e esse argumento é usado pela defesa do Lula para passar a impressão de que a atuação do Ministério Público não é só jurídica, mas política também.
Resumo: os advogados do Lula argumentam que nas urnas ninguém o vence, então seus opositores se valem da Lawfare, que é uma guerra jurídica, para derrubá-lo politicamente.
Não caindo no mérito sobre se os advogados do Lula têm razão ou não, o fato é que o uso da lawfare é mais eficiente e menos cansativo que ganhar uma eleição. Nada melhor que derrubar um opositor usando uma via mais destrutiva: de forma legal - ainda que camuflada.
O que posso afirmar é que a Lawfare é inerentemente negativa. Não é uma coisa boa. É o oposto da busca pela justiça, pois, por meio de apresentação de processos judiciais frívolos e do mau uso de processos legais, intimida e frustra os adversários. E ganha uma Lawfare quem tem mais poder: político e econômico - e essa guerra nunca foi novidade num cenário internacional. Se chegou ou não ao Brasil devemos, sim, discutir: mas de repente pode ser só um jus esperniandi..


Fonte: https://wagnerfrancesco.jusbrasil.com.br/artigos/395435992/lula-e-vitima-de-lawfare-mas-o-que-e-isso

terça-feira, 8 de novembro de 2016

YES, NÓS TEMOS BANANAS

Através de toda nossa história, apenas quatro presidentes eleitos pelo povo chegaram ao fim de seus mandatos. Fora isso, o Brasil se resume a uma sucessão de usurpadores, ditadores e tiranos a serviço das elites. E parece que estamos perfeitamente satisfeitos com essa condição, pois neste ano de 2016, uma pesquisa mostrou que 65% dos brasileiros não se importam se o Brasil é uma democracia ou não.


sábado, 5 de novembro de 2016

OLIGARQUIAS E RETROCESSO SOCIAL



Por Michel Zaidan Filho*

Numa avaliação desapaixonada e já distante dos episódios eleitorais recentes, começa a parecer que o resultado mais importante das eleições municipais em Pernambuco foi o início da desagregação política do PSB.

A derrota do advogado e mecenas literário Antônio Acioly de Campos, o"Tonca", irmão do falecido governador, cunhado da ex-primeira dama do estado, filho da ministra Ana Arraes e  tio dos infantes  João Henrique e Maria Eduarda, à Prefeitura da cidade de Olinda para um obscuro professor olindense,  deu início a uma disputa pública pelo poder, que lavrava silenciosamente no chamado núcleo duro do poder estadual.  

Nunca será demais relembrar aqui a distinção feita em artigo pelo professor Francisco Weffort entre "oligarquia" e "Estado", no nosso caso,  oligarquia de uma única família: Campos infantes, hoje ameaçada por outra família e seus apaniguados, Andrade Lima.

Segundo Weffort, a oligarquia é uma mera expressão política de interesses particulares, cuja legitimidade se resume aos áulicos, parentes, contraparentes e aderentes de toda espécie. Ou seja, é uma forma de domínio político estreita ("oligo"), com uma base social restrita, que não incorpora ou reconhece as massas urbanas como parceiro privilegiado do   compromisso político em que se assenta o Estado. Já este último, não.

O Estado é sempre a expressão de interesses gerais da sociedade, por isso mesmo tem uma legitimidade ampliada e incorpora sim o apoio decidido das massas populares. Segundo essa análise, que se tem em Pernambuco não é nenhuma forma conhecida de   estado, mas uma oligarquia política, das mais estreitas e atrasadas que se possa imaginar.

Aliás, a presença indefectível, indispensável da ex-primeira dama e seus filhos em todos os atos oficiais de governo, seja da Prefeitura do Recife ou da administração estadual é o símbolo desse atraso. Quer dizer que ela é a fonte de legitimidade desse governo, participa dele e tem nele um grande quinhão ou cota-parte. Que, aliás, já começou a cobrar, com as pensões e os empregos dos dois filhos, sem concurso, sem exigência de habilidades ou qualificações profissionais para o exercício do cargo. E a fatura maior deverá ser apresentada por ocasião das eleições de 2018, quando - segundo as especulações que correm - pretende se candidatar ao mandato popular pela legenda do PSB.

A primeira   pessoa da família a romper com esse esquema oligárquico e familiar foi a vereadora Marília Arraes, ao ser preterida pelo tio na legenda do partido, hoje reeleita pelo Partido dos trabalhadores (PT).

Naquele então, a  vereadora denunciava publicamente o sistema de preferencias familiares que reinava  no interior da oligarquia. Com a morte do chefe, em desastre aéreo até bem pouco tempo não esclarecido (agora, a Justiça Trabalhista de São Paulo reconheceu a responsabilidade civil e criminal do PSB e dos sócios do ex-governador e os obrigou a pagar uma pesada indenização trabalhista à família de um dos pilotos vitimados pelo sinistro e uma pensão a cada um dos filhos, até  a idade de 72 anos).

Agora vem a denúncia de "Tonca", que foi prejudicado pelo partido, pelo governador e pela ex-cunhada. Ou seja, atribuiu as causas de seu malogro político na Marim dos Caetés a uma facção dentro do PSB local, que não queria a sua eleição no município vizinho. O que ele diz é verdade. O segundo neto de Miguel Arraes nunca foi o preferido na família. As atenções sempre se voltaram para o falecido. Não goza de muita estima entre os parentes.

Embora pouse de intelectual, é o intelectual-político provinciano, municipal, o mecenas que promove os convescotes de sua própria consagração literária, agora com a finalidade revelada de ganhar as eleições. Sua candidatura nunca foi um consenso nem na família, nem no governo do Estado, nem no PSB. Além de ser uma aventura pessoal, rompeu a aliança com um partido que se assina de "comunista" lá em Olinda. Ou seja, além de ser uma candidatura de risco, pôs em questão uma aliança fisiológica com os comunistas de João Amazonas, defensores do "impeachment" da Presidente Dilma e propagandista desse gerente do PSB, aqui do Recife. Em suma, era uma candidatura que tinha tudo para dá errado. E deu.

Agora, vem o intelectual-político de Casa Forte acusar a ex-cunhada, sua família, o PSB e o governador do PSB de que tramaram contra a sua candidatura o tempo todo. Será que o atilado mecenas e intelectual nunca desconfiou dos métodos "estreitos" de como opera uma oligarquia familiar, como essa que nos infelicita?  

Toda oligarquia tem o seu regime de preferenciais, não há isonomia  política ou social  dentro dela. Sempre têm os mais-iguais, os mais merecedores, os mais capazes ou meritórios. E aí, quem seriam os parentes mais merecedores das prebendas, cargos, mandatos etc.?  

A família do falecido (nem Arraes, nem Aciolly Campos), mas a família da ex-primeira (e sempre presente) primeira dama: a família Andrade Lima. Ela e seus filhos.

Será que ele duvida que se está tentando construir uma nova narrativa mítica do jovem, que desde cedo, foi vocacionado para o cargos públicos, pela influência do grupo familiar, do avô, do pai, da prima (menos do tio).?  
Pela idade e a esperteza "Tonca" não deveria se iludir com a sua própria notabilidade literária ou política, conferida pelo sobrenome familiar. De nada lhe valeu a estratégia de ter redigido a carta que designou Marina Silva a candidata do PSB, nas últimas eleições. Quis dar uma de sabido, tomando a iniciativa e aparecendo em cena. Mas subestimou as características do mando oligárquico. Com a morte do   chefe, é a família do chefe que tem a prioridade. Ele não é mais da família. É de outra família. A família do escritor Maximiliano Campos, que nunca foi político e sim literato.

Torço muito, como cidadão republicano e pernambucano, que todas as denúncias apresentadas pelo segundo neto de Arraes sejam devidamente apuradas e que as responsabilidades civis e penais sejam atribuídas aos culpados. Elas são muito graves e envolvem um secretário de governo e o próprio governo, no que ele chama de atividades de espionagem e monitoramento de sua candidatura.


Não é a primeira vez. Isso já aconteceu em eleições anteriores e em governos anteriores aqui em Pernambuco. Mas, para que não se fique com a impressão de uma capitania hereditária, que passa de família a família, é muito importante que tudo isso seja passado a limpo, convincentemente esclarecido. Afinal, a Justiça serve para isso.

*O garanhuense Michel Zaidan Filho é Cientista Político e Professor na Universidade Federal de Pernambuco.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Classe média: o fetiche do igual

Vive de aparências e acha isso chique. E se tudo isso te parece apenas medíocre e inofensivo, não se engane: há garras e dentes. Pois é nela que é feita a engorda do ódio. É ela que legitima atrocidades

Por Maria Bitarello
Há uns anos ouvi um podcast de rádio americana, não me lembro mais qual, em que o entrevistado daquele dia dizia que o fator determinante da pobreza – econômica, não de espírito – é a possibilidade de escolha. O pobre, dizia o entrevistado que também o era, muito mais do que carecer de coisas, pertences, bens, é privado de escolhas, de alternativas. E, salvo as exceções que sempre existem, a vida lhe impõe um caminho, muitas vezes sem bifurcações no percurso. O que o dinheiro compra, portanto, segundo o tal entrevistado, são escolhas. Fiquei pensando sobre isso muito tempo. Claro que se trata de uma dentre tantas formas possíveis de interpretação e que, de certo, é limitada. Mas vamos seguir nessa via, limitada que seja. Porque acho que ela traz insights.
De acordo com esse raciocínio de pobreza, por menor que possa ser minha identificação com essa classe amorfa chamada de média, de fato, é dela que eu vim. Eu cresci num lar de classe média. Tive oportunidades de escolhas. Muitas. Como a de ter uma infância e crescer na hora em que estava pronta pra crescer; a de estudar, o que e onde fazê-lo; as de viajar, trabalhar, aprender línguas, música, esportes, conhecer culturas diferentes, ser exposta à leitura, às artes; a de votar; a de não virar, cedo demais, nem esposa nem mãe; a de me relacionar com quem meu coração eleger; a de mudar de ideia, voltar atrás, andar pra frente, jogar tudo pro alto e começar de novo; a de viver da forma que é verdadeira pra mim. E isso é ouro. Alguns diriam que não tem preço, mas se isso fosse verdade, todos teriam um pouquinho pra si. O que sabemos não ser o caso.
As escolhas às quais tive acesso não estão disponíveis a todos e me foram concedidas, em grandíssima medida, devido à classe social à qual pertenço. Eu as tive porque outra pessoa não as teve. É uma lei básica e pervesa do capitalismo. Ao mesmo tempo, a classe média não é só uma fatia social; é uma cultura também. E uma das características constitutivas dessa classe cultural é o medo. A classe média é apavorada. Tem medo de perder suas regalias disfarçadas de segurança e estabilidade. Ela paralisa sua vida em função desse medo. Segrega. Empurra o diferente pra longe. Vota mal. Não quer pretos nas escolas dos filhos brancos. Nem a boca no fim da rua. Tem medo do flanelinha que cuida dos carros. Da puta. De sair do carro, de andar na rua. Acha que a riqueza máxima será, um dia, se separar do convívio com os pobres.
É uma cultura pobre de espírito. Chata. A ela pertencem a moral e os bons costumes. Vive de aparências e acha isso chique. E se tudo isso te parece apenas medíocre e inofensivo, não se engane: há garras e dentes. Pois é nela, na classe média, que é feita a engorda do ódio. É ela que legitima atrocidades. Movida pelo pavor, a classe média é capaz de qualquer coisa pra manter erguidas as barras que a aprisionam dentro do apartamento, enjaulada; dentro do carro, atrás de vidros blindados; dentro do bairro, onde todos são iguais. A personagem infantil de Pessoas Sublimes, peça que vi há umas semanas n’Os Satyros, em São Paulo, não sai de casa porque lá fora é muito perigoso. E já viu o que faz um bicho em perigo, acuado? Ele morde. Ele ataca.
Essa noção da classe média apavorada não é minha; tomei-a emprestada do documentário A Opinião Pública, do Arnaldo Jabor, lançado em 1967. Vale a pena assistir. Prometo que não tem nada a ver com o Jabor da Globo. É um registro das mudanças sociais pelas quais o Brasil passava na década de 1960. Uma época semelhante à de agora, quando um momento de abertura foi nocauteado por uma tenebrosa onda conservadora. Esse “medo” do qual fala Jabor nasce do que Marcia Tiburi chama de fetiche do igual, outra expressão que tomo emprestada – dessa vez do último romance dela, Uma fuga perfeita é sem volta, que estou acabando de ler. Os adeptos desse fetiche “amam o igual porque, na vida, só o que querem ver é espelho. O espelho que certifica que existem. Onde não há espelho, as pessoas põem ódio”.
O ódio. A força de uma classe média apavorada movida por ele, quando nas mãos da pessoa errada, pode ser monumental. A massa de manobra em que se transforma pode varrer uma sociedade, pode matar. E uma classe média assustada é tudo o que a direita mais aprecia e melhor sabe usar. Ela vai instigar ainda mais esse ódio que vem do medo, que por sua vez vem da não compreensão do diferente. Se a classe média brasileira não for sacudida de seu torpor, temos exemplos históricos palpáveis que mostram para onde esse discurso pode descambar. E a memória precisa ser exercitada, sempre, pra que a história não se repita.
Evitar repetições é o que um paciente encontra na análise. É o que se alcança com uma epifania. Com um momento de iluminação. Perceber essas repetições e fazer o furo, não reproduzi-las mecanicamente, liberta. Porque aí, sim, há escolha. E em tempos de uma classe média que tantas panelas bateu nas janelas – a imagem própria do desespero –, não parece haver escolha, mas mera reprodução. Por isso, em meio a essa embriaguez burguesa (classista, racista, machista, fascista), será preciso muita riqueza de espírito interior pra despertar do transe e exercitar a capacidade de discernimento. Pra perceber as bifurcações no caminho, as opções de desvio que existem, sempre.
Suspeito eu que a maneira de vê-las é olhar pro outro, pro diferente e, ao mesmo tempo, pra dentro – sem medo. Porque, no fundo, é a mesma coisa. Reconhecer o diferente é um ato íntimo. E só daí sairá algo novo.
Fonte original: http://outraspalavras.net/brasil/classe-media-o-fetiche-do-igual/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DEPOIS DO VENDAVAL

Os pleitos municipais de 2016 revelaram um enorme desencanto do eleitorado brasileiro com a política em geral e com o Partido dos Trabalhadores em particular.

Assim, nas dez cidades brasileiras com maior peso político e econômico em que se realizaram eleições para prefeito –Brasília fica fora da relação porque lá inexiste tal cargo–, o não-voto (abstenções, nulos e brancos) atingiu o percentual de:
  • 34,84% em São Paulo, totalizando 3.096.304 eleitores inscritos, enquanto o eleito, João Doria (PSDB), obteve 3.085.187 votos;
  • 41,53% no Rio de Janeiro, totalizando 2.034.352 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Marcelo Crivella (PRB), obteve 1.700.030 votos;
  • 38,50% em Belo Horizonte, totalizando 742.050 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Alexandre Kalil (PHS), obteve 628.050 votos;
  • 39,48% em Porto Alegre, totalizando 433.751 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), obteve 402.165 votos;
  • 32,74% em Curitiba, totalizando 422.153 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Rafael Greca (PMN), obteve 461.736 votos;
  • 31,86% em Salvador, totalizando 620.662 eleitores inscritos, enquanto o eleito, ACM Neto (DEM), obteve 982 246 votos;
  • 25,13% em Fortaleza, totalizando 425.414 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Roberto Cláudio (PDT), obteve 678.847 votos;
  • 22,30% em Recife, totalizando 257.394 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Geraldo Júlio (PSB), obteve 528.335 votos;
  • 17,30% em Manaus, totalizando 217.540 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Artur Neto (PSDB), obteve 581.777 votos;
  • 39,28% em Campinas (SP), totalizando 322.875 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Jonas Donizette (PSB), obteve 323.308 votos.
Ou seja, quem realmente venceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre foi Ninguém, não aquele que sentará na cadeira de prefeito.

E os estados nordestinos continuam tardando em sintonizar-se com o sentimento predominante nas regiões economicamente mais desenvolvidas (aquelas que, segundo Karl Marx, apontam o rumo que as demais seguirão). Em 2014, salvaram Dilma Rousseff da derrota. Dois anos depois já estão rejeitando o PT, mas ainda não estenderam tal rejeição às demais forças da política oficial. Atingirão tal estágio em 2018?

Segundo o Congresso em Foco (vide aqui), o PT despencou de 24,2 milhões de votos obtidos nos dois turnos das eleições para prefeito de 2012 para 7,6 milhões agora, além de passar a comandar uma única capital brasileira (Rio Branco) e de sofrer dolorosa derrota no ABCD paulista, berço político de Lula.
Está pagando caro pela postura que começou a assumir já na década de 1980 e depois foi aprofundando cada vez mais: o abandono dos ideais revolucionários e consequente aposta na melhora das condições econômicas dos explorados sob o capitalismo.

Ou seja, prometeu conduzir a classe operária ao paraíso pelo caminho tão fácil quanto ilusório das urnas; e, previsivelmente, não conseguiu cumprir a promessa. Daí estar agora sendo visto pela maioria dos brasileiros como farinha do mesmo saco, não mais uma exceção à venalidade generalizada, mas tão somente a confirmação da regra de que o homem comum nada de bom deve esperar dos podres Poderes e de quem deles participa.

Isto porque o PT (e boa parte da esquerda não-petista) não levou em conta duas evoluções muito importantes do quadro político e econômico.
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O CAPITALISMO AINDA RESISTE
MAS SUA AGONIA É IRREVERSÍVEL.
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O capitalismo continua minado pela contradição fundamental de que, ao usurpar dos trabalhadores parte substancial dos valores que eles criam, não lhes dá condições de adquirir todos os frutos do seu labor. Tal descompasso, antigamente, levava às crises cíclicas, guerras e agudas depressões, formas extremas de tornar mais equilibradas a oferta e a procura. 

Os marcantes avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas vêm reduzindo cada vez mais a componente de trabalho humano nos produtos, o que faz diminuir na mesma proporção o lucro que o capital pode extrair de cada item produzido. Como a expansão ininterrupta é condição sine qua non de sua vitalidade, o fato de cada vez mais chocar-se com limites intransponíveis debilita crescentemente o capitalismo, prenunciando seu colapso definitivo.

A crise devastadora para a qual marcha a economia globalizada só não eclode com força total porque a penúria e o apertar de cintos são transferidos de país para país, com a relativa prosperidade de uns tendo como contrapartida o inferno de outros; e também porque a concessão indiscriminada de crédito sem garantia e a emissão desmedida de moeda sem lastro permitem empurrar com a barriga o acerto de contas, adiando longamente (mas não indefinidamente) o juízo final.

Mais dia, menos dia, o castelo de cartas desabará, impondo ao sistema capitalista como um todo uma depressão econômica tão profunda que fará a da década de 1930 parecer brincadeira de criança. 

Ao trocar a luta de classes pela conciliação de classes, o PT acreditou que bastaria se mostrar tão inofensivo e domesticado quanto um lulu de madame, resignando-se a não meter o bedelho nas decisões macroeconômicas, para os donos do Brasil o deixarem cuidar das miudezas administrativas em paz; e supôs que o bom desempenho que as commodities brasileiras vinham obtendo no comércio internacional durante a década passada duraria para sempre, permitindo-lhe satisfazer o apetite pantagruélico do grande empresariado e, ao mesmo tempo, colocar algumas migalhinhas a mais na mesa dos coitadezas.

O preço destas apostas equivocadas é sua degringola atual.
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A POLÍTICA OFICIAL É SÓ FIGURAÇÃO, O
 PODER ECONÔMICO MANDA E DESMANDA.
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Outro fenômeno que vem se acentuando cada vez mais é o avassalamento do poder político ao poder econômico. Não há mais sobrevivência possível fora do modelo capitalista de inspiração neoliberal, pelo menos enquanto ele for dominante em escala global; países ou blocos que tentam isoladamente confrontá-lo, têm até agora sucumbido. [A bola da vez é a Venezuela, símbolo maior do agonizante bolivarismo.]

A lógica da economia capitalista se impõe esmagadoramente sobre o Executivo e o Legislativo (bem como sobre as instâncias superiores do Judiciário), tornando inócuas as tentativas de colocar em xeque a exploração do homem pelo homem a partir das tribunas parlamentares e dos palácios do governo. Os mandatos eletivos servem para dar boa vida a maus representantes do povo, mas não para emancipar o povo.

Então, outra lição importante a tirarmos da ascensão e queda do PT é que a chamada via eleitoral caducou e hoje só serve para manter a esquerda patinando sem sair do lugar.

O que fazermos, então?

O primeiro passo, obviamente, será estancarmos a hemorragia e voltamos a acumular forças.

Resgatarmos nossa credibilidade, tão abalada por escândalos que jamais poderiam ter ocorrido no nosso campo.

E reerguermos a esquerda, como uma alternativa à política oficial e não como parte do seu sistema.

O tempo das bravatas e dos projetos mirabolantes passou. Temos de, humildemente, voltar a participar das lutas justas da sociedade, dando nossos melhores esforços para que elas frutifiquem, ao mesmo tempo em que estivermos alertando os explorados, humilhados e ofendidos, no sentido de que suas conquistas só serão definitivas com a superação do capitalismo. Até lá, continuaremos assistindo a retrocessos como o empobrecimento, nos últimos anos, da nova classe média que os petistas se ufanavam de haver gerado.

Quanto aos voos maiores, são algo para pensarmos quando a correlação de forças não estiver tão desequilibrada em nosso desfavor como está agora; e também quando as crises econômica e ambiental do capitalismo se agravarem ainda mais, provavelmente interagindo entre si. Tudo leva a crer que, nas próximas décadas, a humanidade enfrentará seu maior desafio em todos os tempos.

Como em 1917 na Rússia e em 1949 na China, é bem provável que então se abram janelas revolucionárias, com os homens redescobrindo a solidariedade na luta que terão de travar por sua sobrevivência ameaçada. Pode ser o ponto de partida para uma reorganização da sociedade em bases bem diferentes, passando a priorizar a colaboração fraterna dos homens em prol do bem comum. (por Celso Lungaretti)

Aquário

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