Ser professor em escola pública não é tão fácil como pensava...

Capítulo 01: 

1. Em 2008 até 20 de outubro de 2009 fui lotado pela Representação de Ensino de Porto Velho/RO na E.E.E.F.M 4 de Janeiro que se localiza no bairro do mesmo nome. Eu já tinha trabalhado nesta escola antes, durante a gestão da prof. Ivonete. Porém, praticamente fugi dela quando o governo de então substituiu- a por outra pessoa. Nesta ocasião, havia me dado conta de como as pessoas são descartáveis para os governantes. Como eles estão pouco se importando com as consequencias de suas atitudes junto a comunidade escolar. Simplesmente trocam a direção independente do trabalho que este faça e dos bons resultados que, por acaso, tenham produzido. 

2. Mas o que me levou a pedir me saída dela, a minha devolução foi a atitude brusca e autoritária que a nova diretora. Esta figura, mal entrou na escola e, sem se apresentar ou dialogar com a comunidade escolar já foi revirando tudo o que funcionava lá. Para mim, ela se apresentou já alterando o horário escolar que havia sido negociado antes dela assumir o cargo, na gestão anterior, causando mal estar e transtorno entre os professores. No meu caso, o horário foi uma desgraça. Ele me conflitava com o horário da outra escola que eu trabalhava na ocasião e me prejudicava pessoalmente. No entanto, o que mais me assustou foi a maneira violenta como ela fez tais modificações, desprezando qualquer conceito de democracia que conheçamos. Hoje eu vejo que a dita cuja apenas fez jus a tradicional maneira de ser, agir pensar da maioria das pessoas que fazem parte da educação que se promove no Estado de Rondônia. A maneira dos déspotas deste fim de mundo.


3.Depois, as circunstâncias me fizeram trabalhar para retornar a esta escola. Eu estava residindo bem próximo dela e estava sem condições de me deslocar para outra mais longe. A crescente defasagem salarial promovida pelo governo ivo cassol me empobreceu mais ainda, aumentou minha dívida pessoal e me levou a terminar me deslocando para o trabalho de bicicleta. O salário não me permite sequer me deslocar para o trabalho com tranqüilidade. Resumidamente, esta foram os motivos que me levaram de volta ao Quatro de Janeiro.


4. Eu vinha sondando esta possibilidade com a atual gestora quando, esporadicamente, nos encontravam na feira do bairro 4 de janeiro. Até então, ela me tratava com certa simpatia. Mas quem abriu as portas da escola não foi ela, mas sua vice que havia sido minha colega na UFRO no curso de História. Um professor chamado Joaquim estava saindo da escola por motivo de aposentadoria e eu aproveitei o fato para procurar à vice e articular meu retorno a escola. Até então não tive nenhum problema e consegui retornar para mesma dando aula pela manhã de História no ensino fundamental e a noite no EJA.


5. Mas, eu só pude iniciar meu trabalho lá depois da chamada semana "pedagógica". Logo de início tive que participar de uma reunião convocada verbalmente pela então chefa, realizada na sala dos professores. Nesta "reunião" não havia pauta pré-definida e informada antecipadamente. Tudo aconteceu como de improviso, sem organização. Mas, o fato é que esta é a maneira como a direção desta escola "organiza" ou "planeja" suas reuniões; uma maneira-não-organizada de fazer as coisas. É a política do improviso. Tal característica perdura até agora. Pois é, na ocasião não tive esta percepção de imediato. Meu comportamento foi pautado por uma mentalidade absolutamente diferente da patota que manda nesta escola sob as ordens do atual governo e que se fazia presente naquela ocasião. Acreditava que aquilo era uma reunião para, colegialmente e democraticamente, se discutir e se deliberar alguma coisa, mas na prática, foi uma reunião para se homologar decisões do grupo representado pela direção que se havia tomado a parte, antes da reunião acontecer e de interesse exclusivo deste grupo. A reunião serviu também para deixar bem claro ao professor que chegava, neste caso EU, qual era música que ele deveria dançar e a quem ela pertencia. Neste caso a então "diretora" e seus aliados de plantão.


6. Como havia dito antes, participei desta coisa que eles chama de "reunião" movido por uma mentalidade e um costume totalmente estranho aquela patota de professores ali arrebanhado de supetão para ouvir a voz da chefa. Não tinha como esta minha participação ser um sucesso. Tudo conspirava para que este meu primeiro contato com o grupo fosse como foi, um enorme fracasso. Não percebi o que hoje percebo. Não vi o que deveria ver para poder agir; não levei em consideração a formatação daquela "reunião". Comportei-me como se estivesse num outro lugar que jamais este será, um lugar onde se pudesse discutir e expor meus pensamentos com liberdade com meus "pares" e tentar influir nas decisões que dali fosse construídas coletivamente. Eu era um alienígena e não percebia; um estranho naquele ninho. Se eu tivesse me dado conta que as decisões que interessavam já haviam sido tomada antes do jeito como aqui já foi exposto e que era para eu ouvir calado, teria deixado outra impressão inicial diferente da que deixei: a do cara chato, polêmico, que se recusa a ser ovelha, que pensa por conta própria, rebelde, que gosta de ser ele mesmo e que sabe por que é o que é e se defender. Na opinião da dita cuja que gerencia a escola: arrogante, metido, o que se acha, preguiçoso, covarde e etc....


7. Durante a des-graça-da reuinião, eu me recusei a agir como a patota queria; recusei-me a praticar a política de avaliação do grupo por considerar a interpretação da patota desta escola da LDB e dos PCN uma aberração, uma corrupção e uma grande distorção do que acredito que tais legislações dizem. Tentei, pelejei para explicar minhas objeções inutilmente, mas a mim não foi dado o tempo que eu precisava para me fazer entender. Personagens como uma tal de Beti não me permitiram me expressar. Resultado, a imagem que construíram de mim naquela ocasião foi terrível e pautou a conduta da diretora da maioria dos colegas para comigo até o fim dos meus dias naquela escola. A minha responsabilidade nesse episódio foi a de ter uma postura moldada pela minha ingenuidade na ocasião. Fui um babaca idealista que se tivesse percebido a arapuca que estava se metendo, teria tido outra postura mais esperta naquela dita reunião. Não é a toa que dizem que a primeira impressão é a que nos marca.

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