DIÁRIO DO EXÍLIO - 06: 'SINE DIE'


    'SINE DIE'  
    Pretendo voltar quando nos for permitido não apenas nos abrigar do sol e da chuva, mas conviver com eles sem temê-los. Quero Casa e Ninho para mim e minha família. Quero um altar que eu possa construir e contemplá-lo feliz. Quero a beleza cultivada num jardim; sentir aromas e sabores que as fruteiras possam dar para mim.
    Pretendo voltar quando nos for permitido sermos quem queremos ser sem comparações, ufanismos, mania de grandeza, sem querer nos amostrar, sermos melhores que os outros ou simular aquilo que não somos. Apenas sermos quem queremos ser.
    Pretendo voltar quando nos for permitido receber quem somente agente gosta; quem nos respeita pelo o que somos; quem de fato gosta da gente e procura ficar próximo. Quem conosco quer compreender e celebrar a vida, compartilhar esperanças, lutar junto e sente prazer em vir nos ver e visitar. Em, de vez em quando, estar perto de nós, trocando gentilezas.
    Pretendo voltar quando nos for permitido viver sem incomodar os outros. Sem ser pesado para ninguém. Sem depender apenas de nós mesmos. Poder ir e vir tranqüilo; ficar bem para poder fazer o bem também. Poder partilhar com quem sempre partilhou conosco um pouco de sua alegria.
    Pretendo voltar quando nos for permitido sermos de certo modo feliz. De externarmos beleza, alegria, harmonia em família, unidade apesar da diversidade com tranqüilidade, paz e sossego que ainda não alcançamos. A satisfação que almejamos e a fortaleza que precisamos.
    Pretendo sim voltar, mas ‘sine die’. Isto é: sem data certa de quando poderei este desejo realizar.
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