Ser professor em escola pública poderia ser melhor como muitos pensam...

TEXTO EM MEMÓRIA DA INJUSTIÇA POR MIM SOFRIDA NA ESCOLA 4 DE JANEIRO.

INTRODUÇÃO

Não serei o último a narrar mais que uma espécie de memorial das minhas experiências de vida profissional como professor de história e nem pretendo aqui esgotá-la. Não há escapatória para mim. Terei de selecionar, recortar vivencias para poder tecer uma narrativa que se proponha a dizer alguma coisa de parte dos meus 21 anos de docência remunerada. Desses 21 anos, considero que minha segunda passagem pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Quatro de Janeiro situada na periferia da capital de Porto Velho, Rondônia entre o ano de 2008 a 20 de outubro de 2009 foi a mais profundamente marcante para mim. Pelas seqüelas que marcaram meu corpo e mente. Não é que a minha vida nas outras escolas que trabalhei tenha sido um paraíso. Não se trata disso. Em termos de estrutura física, localidade, funcionalidade de um modo geral, o de Janeiro não difere das demais congêneres. Mas, em nenhuma outra por onde passei causou tanto dano moral e material que esta me causou. Por isso ela é meu alvo predileto, exemplo, modelo, tipinho-ideal a La Weber das minhas análises, leituras e dizeres a respeito do tema educação pública. Pela herança que dela carrego em meu corpo e pela impossibilidade de exorcizar o “bicho” que ela “ponhou” dentro de mim.

— O “quarteto fantástico” que toma conta dessa escola a oito longos anos com o apoio político quase que incondicional de um séquito de professores que lá está há mais tempo e que pretende nela ficar até que a aposentadoria ou a morte chegarem, em menos de dois anos, conseguiu me esgotar física e psiquicamente. Drenou, liquefez meu tezão, minha satisfação, meu prazer pelo meu ofício, minha fé no que fazia. Sob efeito da coação sofrida, fiquei de certo modo mais agressivo, mais impaciente, irritadiço e depressivo que o que é considerado normal. O “bicho” que se apossou de mim, me tornou alguém bem diferente antes dessa minha infeliz passagem por esta escola. As ações do grupo que domina os destinos desta escola foi o empurrão que faltava para eu chegar aonde cheguei.

— O trabalho na escola 4 de Janeiro, especialmente com este pessoal da qual me referi acima foi direto, excessivo e estressante. Gerava em mim um mal estar interno, uma insatisfação porque me obrigava, coagia direta e indiretamente a realizar tarefas que contrariavam a consciência que desenvolvi ao longo da minha vida acadêmica, profissional, de todas as minhas leituras feitas a respeito de como deve ser o meu ofício, o funcionamento do sistema educacional e o que me propus a fazer como professor de história e que já algum tempo vinha fazendo nas escolas por onde passei antes. Prejudicou minha atuação profissional docente: não consegui ser o professor de história que eu desejava, pensava e deveria ser. Aumentou minha dificuldade de relacionamento com eles mesmo [as chefias] dentro da própria escola e meus problemas com muitos outros colegas e alunos como o tal Marcos Radanei por exemplo. Criou atrito entre meu trabalho e minha família, isto é, afetou meu comportamento de pai e marido. Tudo isso junto e outras coisitas mais que também geraram em mim uma repulsa em trabalhar em equipe e outras condutas consideradas negativas num ambiente de trabalho como esse. Isso tudo dentro de um contexto de deterioração salarial, de uma condição de trabalho precária e autoritária, de uma excessiva sobrecarga de trabalho dentro das escolas, de uma falta de autonomia dentro dela, de uma tremenda falta de respeito às diferenças de pensamento, opinião e atuação, de um incentivo a obediência cega, ao servilismo ao chefe, ao cultivo de uma mentalidade de rebanho. Minhas condutas de risco aumentaram, não sei se consigo ser aquele Peixoto sonhador e cheio de energia de outrora e preocupado com a aprendizagem real dos alunos e com o bem estar dos meus colegas como antes. Perdi a fé no movimento sindical e na categoria que faço parte. A merda disso tudo, é que não dar tempo para “bater o sino” e sair dela. Pois bem, mas tudo isso acima, todo este relato não é fruto da minha imaginação. É fruto sim da minha experiência profissional vivida lá dentro e que todos os que me conhecem a longos anos só pôde saber o que comigo aconteceu lá dentro pela versão oficial da “digníssima diretora”. A minha escrita se propõe a oferecer uma versão diferente, outra narrativa, outra história sobre o vivido lá dentro da escola tão real quanto qualquer reality show que conheçamos.
 
1- Na terça-feira do dia 12 de janeiro de 2010 teve início minha atividade de blogueiro com um texto em que historiei, resumidamente, algumas de minhas vivências como professor de história com uma carga-horária de 40 horas na supracitada Escola. Nela, minhas aulas estavam distribuídas pela manhã no Ensino Fundamental com turmas do 9º Ano e a noite no Ensino de Jovens e Adultos [Seriado], o EJA. O texto inaugural se concentrou em algumas de minhas vivências docente durante o ano letivo de 2008. Era o que chamei de capítulo 01. Mas, a história que narrei não pretendia jamais dizer tudo, como de fato, não disse e nem poderia. Pois, estaria contradizendo lições que eu mesmo ministrei ao longo da minha carreira profissional, se assim pensasse e se assim escrevesse. Não há história total, imparcial, neutra, insossa, inodora, inofensiva e insofismável. Portanto, minha escrita será sempre a versão narrativa da história vivida por mim. Está sujeita ao tempo presente, suas limitações e será sempre lacunar e uma das possíveis versões sobre o vivido ali dentro. Quem quiser conhecer as outras versões que procurem quem as fizeram ou que, ainda hoje, fazem. Ouçam, por exemplo, a versão da personagem que, infelizmente para mim, foi minha diretora durante minha estada lá no ano de 2008 e de 2009 e que, por ironia do destino e castigo dos deuses, tem um diploma de professora de história, mas, para o meu orgulho pessoal, tem uma formação abissalmente oposta e diferente da minha. Não somos da mesma “laia”!

2- Certa vez: em 26/03/2008: na 6ª semana de aula: no 2º tempo a noite, esta personagem afirmou, orgulhosamente e com todo o direito que qualquer indivíduo tem neste país, diante de mim e da supervisora que: “era uma professora tradicional de história tradicional”. Partindo da crença de que esteja me lendo agora ou que alguma de suas bajuladoras, especialmente a badulaque que com ela sempre anda a onde quer que vá, esteja lendo para ela o que aqui escrevo: sua afirmação apenas identifica suas predileções doutrinárias de uma história pensada dentro da corrente positivista que ainda empesteia a cabeça de muitos dos colegas de ofício neste país. Uma de suas crenças é a do poder do documento oficial como fonte ou receptáculo da verdade histórica. “Sem documento, não há história” afirmam até hoje. Portanto, fazendo jus a tal coisa, farei ao longo desta minha narrativa, algumas poucas citações desse tipo de documento e de outros registros considerados heréticos e apócrifos por quem pensa desse jeito. Utilizarei, por exemplo, meus registros de aulas feitas numa espécie de caderno de campo, diário de minhas aulas que está em meu poder para dar suporte a esta minha narrativa. Esta será a minha versão da minha vivência na E.E.E.F.M 04 de Janeiro em 2009.

3- Certa ocasião, a então diretora se encontra com outra que trabalha na diretamente na SEDUC. Esta lhes pergunta: —“colega, o que foi que você fez com o Peixoto para ele está revoltado do jeito como está? A dita cuja responde: naaaada! Eu não tenho nenhum problema pessoal com ele. Este simplesmente foi “devolvido” por não cumprir as normas “do colégio”...

4- Será mesmo?
 
*A continuação dessa narrativa continuará depois, afinal, preciso parar para dar o meu expediente onde estou trabalhando agora...

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