NOVO GOVERNO: NOVO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO-PPP: POR QUE NÃO?

1- O Projeto Político Pedagógico (PPP) é o documento que depois de formulado deve nortear todas as ações da escola e sua construção dá-se na coletividade. Isto é: alunos, seus pais, professores e demais funcionários da escola. Ninguém deve ficar de fora. Ninguém deve participar só para só homologar e legitimar as decisões de uma minoria de dentro da escola. O envolvimento tem que ser integral. No mínimo, cada grupo deve está bem representado no processo de construção do PPP e ser estimulado a decidir, coisa que não acontece nas escolas que se orgulham tanto de seguir um “PPP”. Mas, como se faz um PPP democrático de fato?

2-O seu planejamento tem que ser plenamente organizado e participativo. Isto quer dizer: os interessados devem eleger uma diretoria provisória para conduzir os trabalhos de construção do PPP e um regimento interno que oriente as ações dessa diretoria e das demais pessoas envolvidas. Na primeira reunião após a eleição da diretoria e aprovação do regimento interno: uma comissão de sistematização deve ser eleita para trabalhar num rascunho do PPP, ouvindo a todos os envolvidos nesse processo. Depois, cópias desse rascunho devem ser distribuídas para o restante dos envolvidos. Para que os mesmos possam estudar com calma e fazer as intervenções que julgarem necessárias. Após alguns dias, a diretoria convoca a todos para iniciar as reuniões para discussão ponto por ponto ou englobadamente com destaque do rascunho proposto pela comissão sistematizadora. A mesa diretora deve conduzir os trabalhos de forma que permitam a todos se posicionarem com igual tempo e que promovam as votações necessárias dos itens que a assembléia ali reunida desejar. Tendo todo rascunho passado por esse processo, teremos então, não mais um rascunho, mas sim um PPP construído, com real participação dos envolvidos.

3- Há diretoras e diretores nomeados pelo governo que jamais agiram e nem assim agem. Mandam uma supervisorinha qualquer, de preferência uma que faça o que ele ou ela manda, passivamente, como uma idiota que é pegar um modelo fornecido pela SEDUC e escrever uma cópia adaptada a escola. Fazendo enxertos, mudando certos dados, certos parágrafos e a capa do modelo original. Também são incluídas aí as vontades, as manias, as tradições, os mau-costumes, as leseiras, as idiotices, os anacronismos pedagógicos do grupo que se manifestam na forma como eles avaliam, digo, aplicam provas, realizam projetos, organizam a festa junina, jogos e etc. Enfim, como as vontades da panela que bajulam a direção, em troca de certos favores, se fazem presente no projeto pedagógico que muitos de nossos diretores e diretoras fazem aprovar. Depois da cópia adaptada escrita, usam-se os sete dias ou às vezes menos, da tal chamada “semana pedagógica” para simular um debate democrático, onde não há chance alguma para os críticos poderem reverter o que o documento diz. É uma palhaçada que fazem com a palavra democracia. Tudo ocorre para que de fato haja uma homologação, não uma decisão de verdade e, quando se permite um pouco disso aconteça, isso não passa de uma decisão puramente cosmética: nada muda realmente reforçando dois aspectos que deve ser combatido a todo custo dentro das escolas: a cristalização da vontade de alguns sobre os outros ou os dogmatismos pedagógicos.

4- Vasconcellos (2000, p. 169) revela que o PPP “pode ser entendido como a sistematização, nunca definitiva, de um processo de Planejamento Participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar”. Assim, o planejamento participativo com efetivo poder de decisão dos participantes, é a base para o Projeto Político Pedagógico poder construir a identidade da escola e dos sujeitos que a congregam. Desta forma, educando e educador, bem como a comunidade em geral podem exercer sua cidadania, percebendo-se como sujeitos socio-históricos na construção de uma nova sociedade.

5- Com o advento de um novo governo também chegou o momento de todas as escolas públicas do Estado primeiro: substituir todos os diretores e diretoras ligados ao governo anterior e que se envolveram com a construção autoritária e fraudulenta do PPP. Segundo: abolir todos os PPP produzidos no contexto anterior assim que o projeto para a eleição de diretores das escolas seja efetivado de fato. Essa será a primeira missão do novo diretor eleito: convocar a coletividade para construção democrática de um novo Projeto político Pedagógico que corresponda à nova realidade política e educacional do Estado. Terceiro: o governo do Estado, através da SEDUC, garantir o tempo e as condições necessárias para construção do mesmo, bem como, aproveitar bem as sugestões aqui apresentadas no segundo parágrafo desse texto. Essas garantem a democracia e a lisura do processo. Mas, será que minhas sugestões interessam ao governo da “nova Rondônia?

BIBLIOGRAFIA.

VASCONCELLOS, C. dos S. Planejamento: projeto de ensino aprendizagem e projeto político-pedagógico. 9 ed. São Paulo: Libertad, 2000.

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