Tôu muito "confúcio" ainda...



1- O mês está acabando, a chamada “lua de Mel” também senhor governador. Sem melhoria do salário pago pelo Estado que o senhor governa, fica difícil continuar suportando mais as dificuldades que um professor como eu vem passando. Tem hora que eu acho que vossa excelência não está nem aí para isso numa pasmaceira só.

2- Tenho alguns conhecidos que tiveram a oportunidade e, bem preparados que estavam, tiveram a sorte de se livrar desse fardo em que o Estado de Rondônia se tornou nesses últimos oito anos passando em concursos e transformando em funcionários públicos federais. Outros tiveram mais sorte ainda e nem precisaram passar por essa aflição de entrar crente no serviço público e, depois de envelhecer dentro dele, ser transformado num amargurado naquilo que faz.

3- Não se trata de seguir aquele velho clichê que muitos costumam usar para alguém que sente o que sinto, de que se você está insatisfeito: peça demissão e procure outro emprego. Nada disso! Se fosse para vender minha força de trabalho para a iniciativa privada, não teria nunca me empenhado tanto para passar nos concursos públicos que fiz para trabalhar na educação pública desse estado. Não precisaria ter perdido meu tempo estudando para atuar bem como um profissional dessa área. Quando garoto, idealista até a exaustão alheia, acreditei muito que faria muitas coisas relevantes para a sociedade por meio do serviço público, além de usufruir da estabilidade no emprego.

4- Há quem tenta uma carreira no serviço público apenas pelo dinheiro em si mesmo. Não quer saber de outra coisa. Eu não. Entrei por acreditar que, com a estabilidade no emprego, teria um pouco mais de liberdade de pensamento e de atuação dentro do espaço público para agir em sua função. Fazer o melhor possível dentro do ofício que escolhi. No caso: a educação. Entrei sonhador, crente, super animado, cheio de disposição e, com tudo isso, fiz muitas coisas boas e cometi muitos erros no exercício do magistério. Dediquei todo o meu tempo integral a ela, sempre fazendo o melhor possível. Mas, depois de 21 anos desse casamento profissional e estando acima dos 40 anos de idade, casado e com três filhos, sendo este último recém nascido: qual foi a retribuição que recebi da maledetta educazione?

5- Não entrei neste “negócio” para ficar rico. Esta profissão não enriquece ninguém. Entrei movido pelos meus idealismos adolescentes que se sucumbiram diante da realidade imposta neste estado com o pasar dos anos. Entrei pelo prazer que tais ideais proporcionam. O salário seria apenas o complemento, não a razão principal. Mas isso não quer dizer que fiz um opção em ser pobre de uma forma absoluta. Isto é, morar, se alimentar, se vestir, se atualizar, se deslocar, se tratar quando estiver doente da pior forma existente. Meus ideais nunca foram masoquistas. O mínimo de descência que é possível, uma certa qualidade de vida necessária para justificar o custo que se paga para exercer tal função. Será que desejar ter uma casa popular para morar é algo impossível para um professor? Será que poder pagar um dentista para si e seus filhos é inatingível?

6- O tal governo da “nova” rondônia, nesses três meses que completam, não deu sinal algum para mim e outros iguais a mim.Anda devagar, parece lerdo. Os únicos que até agora tem motivo para sorrir e trabalhar com alegria parecem ser os que foram nomeados para algum cargo do primeiro ao segundo escalão do governo. Muito oriundos do governo da “velha” rondônia. Esses são o que mais rieem feito um bando de hienas desembestadas. São essas coisinhas que me deixam confúcio, digo, confuso. E o pior: parece que o homem nem está se ligando. Ele mesmo alega não ter tempo sequer para ler os comentários do que ele escreve em seu blog, porque teria tempo para ouvir as lamúrias de um professor fodido pelo estado que governa?

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