Um bom combate


1- Não sou contra quem luta, porque também luto. Eu sempre lutei dentro dos espaços sociais com as quais interagi ao longo da minha vida. Lutei um bom tempo dentro das Igrejas Batistas que fiz parte, dentro da Convenção Batista de Pernambuco e dentro da Convenção Batista Brasileira que as congrega e em seus eventos. Na linguagem sindical, militei muito! Movido por ideais aprendidos dentro dessas mesmas Igrejas. Lutei para que esses ideais se mantivessem vivos e fossem conhecidos por todos, não só de dentro como de fora. Lutei para que valores éticos fossem de fato reais pelo o menos ali dentro. Acreditei que pudesse ali haver, de fato, uma irmandade. Um lugar diferente do grande lugar onde a Igreja estava inserida. Mas, me enganei e fui enganado com o passar do tempo. Nenhuma delas jamais será o que dizem ser. Dei-me conta que o paraíso lá dentro continuava perdido. Comecei a protestar. Então virei profeta, tornei-me um herético e fui exilado. A Igreja saiu de mim!

2- Mudei de trincheira, mas não deixei de lutar. Tornei-me professor e com outro ardor continuei a militar. A sala de aula tornou-se então a minha nova arena onde as minhas idéias foram colocadas para digladiar com o que posto como normal ou natural e oficial, numa dialética constante que busca por novas sínteses e com elas também avançar. Busquei sempre o debate por achar melhor que simplesmente explanar. Provoquei as verdades abraçadas pelos meus alunos na intenção delas atritarem-se. Cutuquei sempre com ironias e às vezes o deboche, mas sempre tentando fazer com que os alunos pensassem melhor do que antes. Ao longo do meu trajeto cometi uma porrada de erros, mas sempre na esperança de acertar. Mudei muitas vezes meu jeito para o debate melhor se ajustar. Eu procurei sempre chamar e desafiar os alunos com o que eu fazia, mas nem sempre eles bem me compreendiam, obrigando- me a ter que para os diretores me explicar. Fui por muitos deles moralmente assediado na tentativa de me amaciar, de me subjugar e de me domesticar até meus nervos estourarem. Fui então para outro lugar na esperança de meu estresse se controlar.

3- Mesmo assim, continuo na batalha da forma como melhor sei lutar: sonhando e disseminando esses sonhos que podem tornar melhor as coisas que desejamos mudar sejam as escolas ou o sindicato ou até mesmo o governo: não importa o lugar. Em todos eles, há sempre algo que podemos melhorar. Dentro das salas de aulas que já trabalhei, fiz o melhor possível para que houvesse aprendizagem, briguei e enfrentei a resistência de muitos colegas para que eu pudesse de um jeito diferente deles meus alunos avaliar; tentei fugir do jeito convencional de trabalhar os conteúdos o quanto pude; resisti a todas as medidas inventadas ou importadas pela direção que dificultasse o exercício da minha profissão. Nunca fui contra feira da incultura, festa de São João ou “encontro da Família” [Leia-se: ”culto evangélico”], desde que, não me obrigassem a interromper o meu plano de aprendizagem que eu tentava desenvolver. Isso durou até eu não agüentar mais.

4- Assim foi dentro das escolas por onde passei. Em todas elas eu sempre lutei para trabalhar pelos meus ideais. Para por em prática diversas formas de aprendizagem da história, filosofia e da sociologia que eu julgava ser a correta sem titubear. Mesmo acreditando ser ainda muito limitado, fiz sempre dos PCNs o guia de minhas ações para dos outros eu me diferenciar. Ganhei inúmeros desafetos por isso, mas nunca deixei de por eles me guiar. Como professor, o nosso bom combate começa dentro das escolas onde trabalhamos e dentro de nós mesmos, para só depois avançar. Sem um bom combate dentro dela, não tem porque sair pra fora dela para brigar. Pois não temos bons exemplos para os outros mostrar. Como então envolver a sociedade a quem servimos se os nossos serviços são irrelevantes?

5- Um bom combate não se limita apenas ao dinheiro que tanto precisamos. Um bom combate não é mais o que a direção do SINTERO sempre nos propôs ao longo dos anos. Um bom combate deve começar primeiro pela base para só depois para a luta mais aberta se lançar. Precisa de mais tempo de preparação e de inteligência para que possamos, de fato, em nossa posição avançarmos. Podemos, francamente dialogando, conquistar muito mais coisas que a direção sindical é capaz de conquistar. Pois esse governo só está começando e abertura ele nos dar. Por que não tentar? Por que não agirmos de forma diferente? Por que não agimos sem esse sindicato para nos representar se podemos fazer isso melhor do que ele? Por que não deixá-los de escanteio e buscarmos nós mesmos com o governador dialogar? Temos que dar um basta a quem sempre lucrou sozinho nesse sindicato para que nós de fato, todos nós possamos ganhar. Quem sabe esse não seria a melhor forma de fazermos um bom combate?
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Valido a inscrição do meu blog ao serviço de Paperblog sob o pseudónimo peixoto1967
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