REDUÇÃO DAS REN’S: UMA ÓTIMA IDEIA!

Prof. Diogo Tobias Filho*

"Pensar é fácil. Agir é difícil - e agir conforme pensamos, mais difícil ainda."
Goethe

Confúcio Moura, após um início in medio virtus no timão estatal fez escolhas equivocadas para SEDUC. A insistência em repetir mesmices típicas dos governos anteriores, como recadastramento de servidores e o funcionamento feijão-com-arroz das unidades escolares deixou o céu das expectativas nublado. Mas, finalmente aparece sinais auspiciosos de algo diferente nos ares da educação.
A decisão de reduzir as REN’s, ao contrário do que se supõe, é um alívio para os cofres da Viúva, uma esperança para aumentar o combalido quadro funcional e docente das escolas e, poderá ser considerada o fim de uma era marcada pelo apadrinhamento político no preenchimento dos inumeráveis cargos predispostos nestas repartições espalhadas pelo Estado e custeadas pela dinheirama de impostos.
Mas, como já era de se esperar, muita gente começa a choramingar. Desconfio que o medo dos renitentes seja encarar a volta para a sala de aula, único lugar onde verdadeiramente mais se trabalha na educação. É provável que a REN não irá fazer falta ao contribuinte pois as escolas têm que aprender a caminhar com as próprias pernas. Pelo contrário, será até benéfico na conquista de mais autonomia administrativa e política, quiçá o início do fim da supremacia do famoso Q.I dos currais eleitoreiros sobre a competência e carreira técnica dentro dos quadros educacionais. O que não pode ser reduzido na educação é o investimento dentro da sala de aula, desde que o dinheiro sirva ao processo de ensino-aprendizagem.
As REN’S irão deixar saudades tão-somente para um público bem específico, constituído por aquelas figurinhas já carimbadas na sociedade em que vivem, donde se alternam entre estado e município no preenchimento de vagas em redutos eleitorais dos seus benfeitores. Vários destes servidores há dezenas de anos, não sabem o que é manusear um palito de giz sobre o quadro; outros sequer têm competência para lecionar e vivem fugindo da docência como o diabo foge da cruz.
Certo deputado estadual alegou o seguinte: “que os profissionais das representações de ensino ainda atuam na aquisição de material para as escolas, como a merenda, material didático e esportivo, kits escolares, além de acumularem a organização de jogos municipais, estaduais e regionais. Além da prestação de contas dos recursos utilizados em reformas e ampliações de escolas”. Argumento pífio, sobretudo porque a própria unidade educacional pode resolver tudo isto e muito mais, chamar ao trabalho as Associações de Pais e Professores para assumir seu papel nas questões administrativas e afins e despertar o cooperativismo entre seus agentes.
Grosso modo, o fim das REN’s já vem tarde. Entretanto, há outras medidas imprescindíveis para mudar a educação rondoniense e rumar para dias melhores: democracia ampla, geral e irrestrita nas eleições de gestores; participação mais efetiva da sociedade nas decisões de projetos e elaboração de currículos; escola integral, em especial para séries iniciais do ensino fundamental; capacitação e incentivo a pesquisa para os docentes; autonomia funcional, administrativa e financeira sem a interferência de políticos ou quaisquer outros sujeitos alheios ao processo de ensino.
Não custa lembrar que um projeto de mudança não pode abrir exceções nem cair por medo no retrocesso de ceder à pressões política já que para governar não basta ser homem, tem que ser um campo de batalha. Ou se muda de uma vez ou enfia a viola no saco e deixa tudo como está e vai ser blogueiro.

*O autor é ex-professor de filosofia – BLOG: digtobfilho.blogspot.com




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