O Sindicato dos Gatos



A respeito da peleja eleitoral dos “gatunos sindicais” pela direção do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Rondônia.


“Não importa a cor do gato, mas se é ou não capaz de caçar ratos."
Deng Xiaoping (1904-1997)

 1- Temos que fazer justiça às ações do velho e tradicional establishment presente direta ou indiretamente na direção do SINTERO não importando o quanto diga que “se renovou”. Esta sempre fez de tudo para manter o sindicato em suas mãos. Uma ambição tida por muito como “natural”. Eles agem como um verdadeiro sindicato dos gatos: com olhar focado na presa, mas com discrição, passos macios e com uma forte aparência democrática. A presa sempre é pega de surpresa, não espera nunca que o gato que a apanhou a devore, apenas brinque com ela e a deixe ir. Nada mais enganoso. A brincadeira dos gatos sempre termina com o rato sendo comido pelo o gato com muito apetite. Pois bem, os velhos e obesos gatos do SINTERO jamais fizeram algo sem passar pelas assembléias da gataria. Sem a aprovação da maioria dos gatos nela reunida. Até o percentual pago ao gato persa da OAB seccional  de Rondônia, o advogado Hélio Vieira passa pela assembléia. “São as assembléias que mandam !” Miau! Isso é incontestável. Eu mesmo participei de inúmeras delas; fui testemunha ocular. Entretanto, levando em consideração o número absoluto de filiados registrado no SINTERO, podemos afirmar algo que eles, obviamente, discordarão. Que essa maioria que sempre  aprovaram e legitimaram as decisões propostas e que são colocadas em prática por eles, foram sempre A MAIORIA DE UMA MINORIA de gatos ou gatas sindicalizadas que se dão ao trabalho de estarem presentes nas assembléias e que nem sempre são as mesma nessas reuniões. E eles sabem disso e contam sempre com isso! Por miam tanto nos informes do SINTERO. Jamais essa gatarrada fizeram questão ou um esforço maior e genuíno para garantir à presença absoluta de 50% mais UM do total de felinos filiados a entidade. Uma das evidências disso são as limitadas e ultrapassadas formas de sempre de se fazer as convocações. Costumeiramente de forma indireta, imediata, distanciadas e primitivas que, com o passar do tempo, muitos nem sequer se dão ao trabalho de lerem de tão chato que são. Não cheira sequer a ração! Outro exemplo disso tudo foi a extinção das antigas micro-assembléias por escola promovidas pelos hoje extintos delegados de base. Elas ficaram apenas guardadas na lembrança dos que viveram aquela época. As novas gerações de gatos e gatas sindicalizadas do SINTERO sequer sabem que isso algum dia isso existiu. As assembléias passaram, então, somente a existir nas sedes regionais do sindicado para dar a impressão de multidão. Uma pandilha reunida miando junto: “O SINTERO somos nós!, Somos nós e Somos nós! Mas, que esconde um fato triste: lá nunca esteve a maioria dos gatos que perambulam pelas escolas; muitos desses sequer são ainda sindicalizados! Mas esse baixo quantitativo de participação não incomoda os gatos velhos e obesos da direção. O importante é a aparência porque é mais fácil que falar de verdade para a maioria absoluta dos gatos. Dá menos trabalho! Isso é muito mais conveniente aos interesses pessoais, a visão de mundo, de educação, de democracia, de modelo sindical em vigência por parte das “feras” que dirigem o SINTERO até hoje.

2- Diante dessa versão da nossa realidade sindical, poucas foram às vezes que miados dissidentes, discordantes ou dissonantes se manifestaram nessas assembléias regionais e mesmo assim, sem sucesso. Essa forma convencionada de promover assembléia não existe para mudar o figurino cutista e petista a qual eles enquadraram o sindicato. Pelo contrário, as assembléias são apenas um instrumento de legitimação do grupo dirigente e do figurino por eles escolhidos. Não há registro conhecido de outras gatarias formalizadas, organizadas, atuando sistematicamente dentro e fora dessas “assembléias” diretamente nas chamadas “bases” ou no local de trabalho. Nem a direção faz mais isso. A chamada “oposição”, infelizmente, só tem sido conhecida em ano eleitoral. Fora disso o que existe são gatos vira-latas divergentes pouco conhecidos e dispersos no interior da gataria educacional. Felinos inclusive que brigam entre si. Alguns filiados a partidos de oposição, a outras centrais sindicais ou sem partido, os independentes. Mesmo assim, só alguns desses é que conseguem se juntar e recrutar qualquer um às pressas e de qualquer jeito para poder disputar as eleições sindicais e tentar a sorte: vencer por acaso ou por azar os gatunos que já estão juntos a mais de duas décadas, organizados, aparelhados e munidos de recursos obscuros que a maioria desconhece a sua origem verdadeira. Uma oposição sem organização de fato, sem vergonha de perder sempre, fulera, que compete por competir, legitimando sempre a regra aprovada pela maioria da minoria que sempre se fizeram presentes as ditas assembléias regionais. Enfim, fazendo o jogo dos gatunos da situação. Pior ainda, agindo de forma muito parecida, a começar pelo desinteresse em informar com transparência absoluta suas fontes de recursos econômicos, discutir e acertar, previamente, com os aliados os detalhes os seus planos e tomarem decisões de cima para baixo: sem base.

3- A lógica de funcionamento político do SINTERO lembra muito a do partido comunista da extinta URSS, da China e de Cuba. A entidade foi e é estruturada de uma forma tal que dispensa o protragonismo das chamas bases e a sua presença efetiva nos também chamados locais de trabalho, neste caso, as escolas. Os gatos da categoria dos trabalhadores em educação só são necessários durante a campanha eleitoral e quando a minoria que decidiu por uma greve geral precisa de claque ou bucha de canhão para as suas ações de pirotecnias políticas que simulam uma grande adesão ou ação como, por exemplo, a invasão da SEDUC, da Assembléia Legislativa, do Palácio Getúlio Vargas e quando é preciso bater de frente com a polícia. E só. Por quê? Porque tal como aconteceu com o PT, o sindicalismo por eles forjado se tornou também um sindicalismo de notáveis, aristocrático. O tal sindicalismo de luta mudou, sofreu inflexões com o passar do tempo: se tornou pragmático; um sindicalismo de resultado pífio, medíocre que se contenta com miséria e que nunca mudou a educação que se faz dentro das escolas. Esse tal “sindicalismo de luta” virou slogan vazio, miado de gatos esfomeados em cima do telhado. Sua base não passa de claque; os alunos dessa base: formiguinhas; as assembléias: cultos e momentos de homologação ou de masturbação mental. Mudanças, só dentro do grupo dirigente e só! Quem quiser tentar mudar alguma coisa tem que começar por baixo, como um figurante, um torcedor fiel, talvez líder de torcida dentro das escolas. Uma vez conseguindo fazer parte dessa diretoria no que denomino de “baixo clero”; depois de anos de subserviência e lealdade ao grupo talvez possa conquistar sua confiança e ter uma chance de ascender a algum cargo no que chamo de “ALTO-CLERO” sindical: isto é fazer parte do staff felino que sempre vence as “eleições” e dirige este sindicato. Não há, por enquanto, oposição externa séria e diferente que consiga mudar essa situação.

4- Então, diante disso, o que parece ser a oposição representada pela chapa 02? Metaforicamente, gatos de uma cor diferente, mas que ainda são gatos! Por que age segundo a lógica dos gatos, do jeitinho como os gatunos da eterna direção esperam que se comportem. Que gostam de comer ratos como os outros gatos comem, mas não sem antes brincar o pouquinho com eles: suas presas. Com a pequena diferença: na cor somente. Até o miado é o mesmo em essência. Os domésticos que fazem parte do establishment da direção são a maioria do PT e ligados a CUT. São os que hoje não só comem ratos, mas rações especiais de várias procedências suspeitas. Já os da rua [os de fora], são vira-latas, desejosos de terem pedigree, sem um miado aristocrático, desorganizados, que comem qualquer coisa que encontram na rua e que não andam em grupo permanentemente a não ser quando tem que disputar a mesma lata de lixo, o mesmo cocho de ração chique com os gatos notáveis do SINTERO: são os que usam as cores do PC do B e da CTB. Que também comem da mesma ração especial fornecida pelo governo, embora omitam dos demais vira-latas, sem partido, sem cor definida e dos que preferem agir e pensar por conta própria. Afinal de contas eles também são GATOS! Ora bolas!
A briga pela direção é "cruel"

5- Infelizmente, o “sistema”, as “condições materiais” e “imateriais”, a cultura sindical aqui desenvolvida, no momento, não possibilitam alternativas diferentes de limpar o sindicato desta gatarrada dos infernos chamado de “SINTERO SOMOS sempre NÓS” e de proteger a entidade que outra piara felina de procedência duvidosa. Como mudar sem sermos gatos como eles? Será que os ratos e demais bichos da cadeia alimentar felina que estão de fora, teriam alguma chance? Talvez não, afinal, o sindicato, o SINTERO é dos gatos e não dos ratos. E de “certos gatos” sendo mais preciso. Não há vaga na “diretoria executiva” ou no “conselho diretivo” para todos! A categoria tem gatos demais e de várias espécies. Então, o que me resta fazer diante de uma situação como essa acima descrita? Apenas torcer para que, pelo menos, gatos de uma única cor não controle todo o sindicato sozinho; que os de outra cores consigam tomar a maioria das regionais do SINTERO na esperança de que isso force os velhos gatunos de sempre a negociar, a dividirem a ração e a cama de gato do poder e, com isso, alguma mudança possa ocorrer no sentido de que nunca mais gatos de uma só cor possuam a hegemonia absoluta e por tanto tempo dentro desse sindicato. Miau! Isto é, Amem!

*Dedico esse texto a um velho amigo: hoje gato novo e goordo da UFRO.
20/10/2011
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