Roberto Eduard Sobrinho: O Odorico Paraguaçu de Rondônia!




“...Sou um jenipapista juramentado.”
Odorico Paraguaçu no Bem Amado de Dias Gomes.

1. Era para ter sido neste último dia de fim de semana: o domingo dia 04 de março o festejo do primeiro ano de vida do Guil Simon, caçula da pernambucanizada família Peixoto, mas não foi! Roubaram-lhes até o único tempo permitido pelo capital para o dito descanso e lazer! Afinal de contas, uma família de proletários da educação pública do Estado de Rondônia como todos os demais que trocam sua força de trabalho por salário não pode se dar ao luxo de festejar qualquer evento durante o tempo que não lhes pertence: o tempo do trabalho. Este privilégio não lhes pertence! O controle dessa valiosa mercadoria -o tempo- pertence a poucos “colegas economicamente melhor remediados” e, bem mais poucos ainda, aos chefes hierárquicos da máquina estatal para quem, na prática e de fato, trabalham.

2- O material para se fazer toda a festa foi comprado junto com a feira do mês no sábado num dia anterior. Como a supracitada família pernambucana depende do único transporte público oferecido pela Prefeitura de Porto Velho: o ônibus, e do único bem móvel que dispõe - a bicicleta- não puderam levar para seu casebre o alimento que toda mão de obra operária necessita para sua reprodução. Não tiveram outra opção a não ser se submeter ao serviço de entrega do mercadão. Afinal, a bike da família do professor do Estado não é espaçosa o suficiente para carregar os básicos suprimentos do mês. O mercadão só os entregou mesmo na segunda feira dia 05 desse mês. Sendo assim, a festinha de aniversário do mais novo proletáriozinho dessa família [Que Deus o livre disso!] só pode mesmo ser feita nesse dia mesmo, depois de cumprida a jornada de trabalho dos dois operários que sustentam essa família.

3- O dia chegou e o pouco e breve tempo que a dita família teve não foi de alegria plena como imaginou. Não se trata apenas do tempo supostamente livre que tem todo trabalhador, mas da suposta alegria que dentro dele desejava livremente dispor. Mas uma vez, infelizmente, o operário da educação pública de Rondônia se enganou. Confirmou-se então o velho adágio popular que trata do quanto de alegria um pobre pode curtir em seu quinhão. A mãe do aniversariante conseguiu fazer um singelo bolo regado ao guaraná mais pop deste fim de mundão, mas o pai...este, desafortunadamente, não pode chegar na hora certa combinada para a festa por causa do “busão”.

4- Não é de agora que a cidade de Porto Velho sofre dessa letárgica forma de condução. Piorou mais com o aumento da frota do transporte privado depois que o governo Lula fez emergir a nova classe média que do transporte público jamais gostou. Essa nem quer saber de andar de ônibus: coisa para pobre, muitos movidos pelo programa “Bolsa família” e muitos outros só de salário baixo mesmo. Movido por essa perversa lógica, a prefeitura da capital de Rondônia e o seu prefeito vem conduzindo os interesses da população. Não de ônibus mas de carro próprio mesmo! A mobilidade urbana dos não-emergentes [de fato] está nas mãos de uma só empresa de transporte público: talvez a que patrocinou a campanha política desse prefeitinho de merda que os governa. A empresa tem sido, pelo o menos nesses últimos oito anos, a detentora do o monopólio do transporte de passageiro na capital. Por isso, cobra o valor da passagem que quer e vem servindo muito mal a população. Atrasam horários; param nas paradas que querem; decidem as linhas que acham mais lucrativas; cozinham passageiros com seu calor infernal; estimulam abusos sexuais contra as mulheres com sua super lotação que colabora para o esfrega,esfrega uns nos outros, enfim, faz do transporte público um horror total!

5- Roberto Eduard Sobrinho, o prefeito, lembra muito Odorico Paraguaçu: a personagem principal de Dias Gomes do livro: o bem amado. ”Não é propriamente um belo homem, mas não se lhes pode negar certo magnetismo pessoal. Demagogo, bem falante, teatral no mau sentido, suas palavras prende, sua figura impressiona e convence.” Afinal foi sindicalista no início de sua meteórica carreira política, foi também o fundador da patota do SINTERO somos sempre nós que até hoje dirige o SINTERO. E Porto Velho sua Sucupira. Nunca vi tamanha semelhança! A ficção de Dias Gomes vem sendo repaginada, atualizada em Porto Velho com uma maior rapidez desde quando o Odorico de Rondônia tomou a prefeitura. Com a lamentável diferença que o que acontece por aqui não é ficção. Com exceção e excreção do que nosso falante prefeito vive falando do que fez e ainda fará neste remoto burgo amazônico, o que existe aqui é um horror para aqueles que dependem dos serviços públicos dessa cidade, especialmente citando e acentuando, o serviço de transporte público por ele oferecido.

6- Em Sucupira, perdão, Porto Velho, o pai do aniversariante chegou na parada de ônibus, aproximadamente, às 16 horas. Esperou duas horas em pé com uma mochila pesada na costa. Muita gente foi se amontoando na parada; a sinalização dos semáforos hora funcionava, ora não funcionava; os “marronzinhos” [os assim chamados industriais aplicadores de multas da prefeitura] tentava sem muito sucesso fazer o trânsito fluir. A luz do dia estava acabando e cansado de esperar pelo ônibus que não vinha, foi a pé do centro da cidade em direção ao subúrbio, sentido centro-bairro. Da loja “Toca do Coelho” ao bairro do Quatro de Janeiro, na Rua Daniela especificamente. O maldito ônibus da empresa TRÊS MARIAS só passou por ele quando o mesmo se aproximava do PORTO VELHO SHOPPING, porém lotado. Para evitar xingar mais do que vinha xingando pelo caminho a empresa e o prefeito, continuou seguindo a pé para seu casebre suburbano. Suas pernas e coluna doíam muito! E como doíam! Mesmo assim se perguntava: por que os serviços básicos dessa cidade não pode ter o mínimo de qualidade? Por que o prefeito mente tanto? Adora tanto falar de uma cidade ficcional? Cadê a imprensa numa hora dessas?

7- Mas como a Sucupira do Bem Amado do Dias Gomes: a Porto Velho do Roberto Eduard Sobrinho é uma cidade atrasada, onde há crimes, desastres, roubos, onde nem mesmo as mulheres corneiam os maridos, como é que pode haver imprensa? Imagina quando esta recebe, direta ou indiretamente, patrocínios da prefeitura e do governo do Estado, que por sua vez, também são patrocinadas pelos empresários locais, entre eles, o da única empresa de ônibus que controla o serviço de transporte urbano e interurbano? Na capital a empresa TRÊS MARIAS e no Estado, a EUCATUR. Como pode haver, de fato, imprensa? Nem pensar que ela possa mesmo desejar em rede de rádio e TV denunciarem de fato o horror desse e de outros serviços com a contundência que merece. Afinal, ela anda de ônibus?

8- Pois é, andando do centro até o bairro onde mora, o pai chegou aproximadamente às 8 horas. Cansado, moído e revoltado para o aniversário do seu filho caçula. Principalmente porque se lembrava, sem querer, de uma das inúmeras falas do prefeito na mídia local. Algo, analogicamente, semelhante ao que o Odorico Paraguaçu dizia quando desejava inaugurar a todo o custo o cemitério da sua cidade, seu elefante branco: “É preciso garantir o depois – de - amanhã, para ter paz e tranqüilidade no agora”. No caso do Roberto Eduard Sobrinho é possível resumir tudo o que costuma dizer na seguinte frase: “é preciso garantir a eleição de “depois - de – amanhã”, amplificando midiaticamente o pouco que se fez até agora”. Não importando se os não-emergentes, a maioria dos usuários dos serviços públicos se lasque no meio do caminho. Ora bolas, o prefeito da cidade, da capital, o burgo-mestre não precisa andar de transporte público!
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