Os Intocáveis Sinteristas

Segunda Versão Corrigida.

“O tédio é que me faz cruel”.
Charles Baudelaire em As flores do Mal

1- Não houve falta de lisura na última eleição para direção do SINTERO, que tornou Manoel Rodrigues, o Manoelzinho, seu atual “Sumo Pontífice”. Pelo o menos, é isso que diz o parecer do Ministério Público da União [Ministério Público do Trabalho – Procuradoria do Trabalho da 14ª Região] reproduzida aos montes via nota veiculada pela assessoria de “imprensa” do SINTERO nos jornais eletrônicos e em especial o jornaleco “tudo rondondonia.com” do dia 13/04/2012 e no site oficial do sindicato onde, além do assessor de imprensa, somente o próprio papa e seus cardeais eleitos podem publicar alguma coisa. O parecer, a opinião expressa em resposta a uma consulta feita, o juízo técnico do Ministério Público do Trabalho – Procuradoria do Trabalho da 14ª Região, emitido após a conferência dos votos e demais documentos da eleição do SINTERO é epistolar: concluiu que: “não houve qualquer irregularidade no processo eleitoral. Ora, tal juízo é humano e pode muito bem está errado, pode muito bem ter sido comprada a peso de ouro e pode também ter sido justa e correta. Depende apenas dos seres humanos em posição de poder de juízo numa sociedade. A balança da dita justiça, na prática, pende sempre para o lado que tem mais peso numa disputa e este lado, necessariamente, nem sempre é o justo. Na história não falta exemplos disso. No caso do questionamento do processo eleitoral ocorrido no SINTERO, é fácil deduzirmos quem tem o maior peso nessa peleja, quem tem a força, quem é o He-Man. Com certeza, não é o Pantera: Oh coitado!

2- Então, Danou-se! Não há mais o que chorar! O grupo dos Eliot Ness que compuseram a “infame” chapa 02 pecou o pior dos pecados; aquele que não tem perdão: seus componentes blasfemaram contra a indubitável inteligência, contra o santo espírito dos “sábios” eleitores que catapultaram o sinterista juramentado Manoelzinho para a vitória no pleito passado e por em dúvida reincidentemente o justíssimo processo eleitoral da maior e mais poderosa entidade de classe desse Estado: o SINTERO! Correm agora um sério risco de serem definitivamente queimados no fogo, no inferno do esquecimento preparado para todos os que dele discordam e nele não crêem. As hordas de tietes sinteristas que “elegeram” Manoel Rodrigues o novo sumo sarcedote sindical não lhes darão sossego! Eles que agüente então a inquisição sem fogueira sofrerão a partir de agora! Mas rapaz, por que fizeram isso? Por que tamanho gasto inútil de energia? Esse Golias é de verdade gente “repulsiva” da chapa 02: não cai assim tão fácil não, com uma pedrinha de nada atirada por um badoque judicial! Que teimosia burra! Parecem que nunca assistiram o filme “OS INTOCÁVEIS” de Brian De Palma que conta a história do único vacilo dado por Al Capone que provocou a sua prisão na ilha de Alcatras pela equipe de detetives federais comandada por Eliot Ness. Este jamais conseguiu levar aquele a julgamento. Al Capone tinha sempre a justiça em suas mãos. A balança dela sempre pendia para o Al e seus companheiros da máfia. A polícia também era inútil chamar, esta era, em sua maioria, também comprada. Logo, como condenar tão poderoso Titan da máfia italiana nos EUA? Como atingi-lo? Por onde pegá-lo? Seu inimigo, o delegado federal Eliot Ness e sua equipe, no filme, descobriram qual era o seu Calcanhar de Aquiles e conseguiu pegá-lo. Mesmo preso, Al Capone ainda debochou da justiça e as atividades mafiosas não cessaram.

3- A patota do "SINTERO somos sempre NÓS" se parecem com eles, na teoria e nas suas práticas. Neste sentido são “os intocáveis sinteristas”! Quer dizer: os imbatíveis espertalhões! Os operadores! A maioria cria e criados pelo Partido dos Trabalhadores, o PT. Por isso mesmo: rolos compressores quase invencíveis! Um genérico amazônico do PT nacional. Jamais dão ponto sem nó. Jamais vacilam. Jamais dispensam dispor do poder do aparelho sindical sob sua direção. Jamais passam a mão na cabeça ou dão tapinha nas costas nos filiados herege do sindicato! Jamais toleram a dissidência! Essa é tratada com o mais profundo desdém. Os militantes inteligentes e autônomos que com eles não comungam, dispersos pelo estado, são como se fossem leprosos: eles os querem bem longe de suas assembléias gerais. Preferem as formigas que lhes seguem sem saber bem o que estão fazendo e as tietes que sabem muito bem porque os seguem. O alto e baixo clero da sua direção não é feita de amadores idiotas e de jumentos: todos são profissionais do sindicalismo, competentes naquilo que se propuseram a fazer dentro dele. Além de gozarem da blindagem, da ajuda financeira e jurídica do super, mega e hiper advogado Doctor Fausto, perdão: Helio Vieira, os Mefistófeles do “SINTERO somos sempre nós” contam com aliados de outros aparatos sindicais ligados a CUT. Suas performances políticas não são frutos da educação de qualidade que tanto pregam, mas do pragmatismo político mais seboso ultimamente visto no Brasil. Mas, isso ainda não é nada! Não estou superestimando esse grupo não. O outro lado também tem suas responsabilidades nessa história, não há ninguém bobo entre eles também. Os “infames” adversários tentaram se utilizar de recursos, proporcionalmente parecidos. Esses adversários bem que tentaram, porém em vão. Foi inútil. Não tinha o mesmo peso. Se compararmos de forma honesta e justa, veremos com clareza, o quão incomensuravelmente inferior foram os recursos utilizados pela chapa 02 de oposição. Também né? Como competir em condições tão desiguais? Não acredito que o Manuelzinho tenha, com o salário dele, pago todo o custo de sua campanha!

4- E, além do mais, quem apostaria num grupo de dissidentes considerados “infames”, “blasfemos”, “minoritários,” inexpressivos” e “pelegos”? Formado de forma aleatória, de supetão? Um amontoado de gente oriundos do PC do B; independentes e outros trabalhadores da educação sem eira nem beira, anônimas, desconhecidas que perambulam pelas Escolas Públicas, recrutadas em cima da hora e sem experiência de luta para compor desesperadamente a gigantesca chapa e não deixar a chapa 01 [do “SINTERO somos sempre Nós”] sem disputa? Sem adversário? Sem antagonistas? Sem jogo? Até parece que isso também sempre fez parte do script desse espetáculo da eterna mesmice “democrática”, dessa mimética e mal acabada democracia? Showzinho que eles precisam sempre dar para se parecerem realmente democráticos. Eu, particularmente, não duvidaria e nem me surpreenderia se algum dia alguém conseguisse provar que o Francisco Batista, vulgo Pantera e correligionários sempre estiveram a serviço desse pessoal. Afinal, que graça teria um Al Capone sem um Eliot Ness? Na história desse sindicato isso já aconteceu e não teve final feliz; não teve graça para os vencedores da época e de hoje. Pois, a sensação de fraude, de fuleragem sempre pairou no ar desses caras e eles não gostaram, logo, para que repetir tão suspeita e desagradável experiência histórica? Então, fica essa forte suspeita pairando no ar: será que a chapa 02 não teve um papel de tempero eleitoral? De cúmplice?

5- O informe da Assessoria de Imprensa de um homem só, um criado do SINTERO, também escreveu em sua nota que: “O presidente do Sintero, Manoel Rodrigues, legitimamente empossado no cargo, e não sob o efeito de liminar, como divulgaram ex-integrantes da chapa 2, disse que não tem dúvidas quanto à lisura do processo eleitoral, pois foi obedecido fielmente o que estabelecem o Estatuto e o Regimento Eleitoral do Sintero.”. Corretíssimo! Como o Papa sindical eleito poderia ter alguma dúvida? Papas jamais tiveram dúvidas ao longo da história, senão, não seriam Papas, mas demônios! Não há o que se queixar na justiça dessa dita “lisura” do processo eleitoral. O resultado e a contestação eram esperados e previsíveis. Eles sempre estiveram preparados para tudo isso e para situações piores, pois, já sofreram no passado com uma intervenção judicial. Não é a toa que são OS INTOCÁVEIS SINTERISTAS! Quem se decepcionou com a vitória do continuísmo é quem não quer admitir isso; não quer reconhecer a superioridade financeira, o poder da doutrinação sedutora que eles têm e a grandiosa logística desse aparato tão duramente construído ao longo do tempo. Aparato tão poderoso que fez de um psicólogo nominal feioso e barbudo o atual prefeito da cidade de Porto Velho duas vezes; fez de um esquálido magricela professorzinho de ensino fundamental e proacapiano vereador e também fez de um polaco matuto do interior de Rondônia deputado estadual, enfim, todos, frutos de uma máquina formidável de ascensão social e política sem o qual eles e outros não seriam ninguém nesse Estado.

6- Em fim, as formas como tudo isso vem sendo construindo e vem sendo feito ao longo da história, fez com que o processo eleitoral do SINTERO lhes garantisse essa "invencibilidade". Eles são possuidores da lâmpada maravilhosa que já foi de Aladim! As suas “regras” e seu “regimento eleitoral” existem para lhes satisfazerem; para blindá-los e lhes assegurarem que continuarão sendo para sempre os eleitos, “OS INTOCAVEIS do movimento sindical”. Apesar delas serem legitimadas em “assembléias” constituídas, pela MAIORIA DE UMA MINORIA, que as freqüentam de forma convenientemente segmentadas em “regionais” [Ou seriam de Currais Eleitorais?]. Duvido se, numa Assembléia Geral onde todos estivessem reunidos [-TODOS-] ao mesmo tempo e as Chapas concorrentes estivessem numa mesma situação e condição econômica, estrutural e cultural: se os que venceram agora conseguiriam obter 50%+1 dos quase 21 mil servidores da educação. Eu duvido! Mas, não é essa a realidade, isso jamais foi de interesse desse pessoal. Pelo contrário: o processo eleitoral que existe, foi criado para isso mesmo, para garantir que essa patota continue intocável para sempre. Numa outra realidade política, numa outra regra eleitoral alternativa e melhor que a que existe, mas equânime, mais justa para a maioria real, o resultado poderia ser diferente. Mas, não vivemos isso, logo, Manuelzinho e todos os sinteristas l têm absoluta razão: Ele tem a legitimidade e a vitória! Cabe a quem sonha com outro sindicato, com um sindicato diferentemente melhor, democrático e de base descobrir como Eliot Ness descobriu a fraqueza desse grande grupo de Al Capones sindicais e derrotá-los. Mas, mesmo assim e enquanto isso, cultivo meu ceticismo, minhas dúvidas. Talvez vala mais a pena assistir o filme original que tentar mudar esse filme pirata que somos constrangidos a assistir repetidas vezes a toda eleição desse sindicato de alguns!

نراكم قريبا!
©DesProf.Peixoto
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

CULTURA, INTERCULTURALIDADE E MULTICULTURALISMO: UM INVENTÁRIO DAS IGUALDADES E DIFERENÇAS TEÓRICAS NA EDUCAÇÃO

CARTA ABERTA À ADVOGADA GERAL DA UNIÃO