SINTERO E A REFORMULAÇÃO DA LEI 420: UM SILÊNCIO NADA INOCÊNTE


Uma visita ao SINTERO mostra que a fé neles não é garantia de nada”

Nietzsche [parafraseado]





1- Depois de uma bricolagem de greve, um ensaio de brabeza mal resolvida contra os supostos malfeitos educacionais do atual gorvenante que passa por esse fim de mundo chamado Rondônia protagonizado pelos dirigentes sindicais do SINTERO no começo do ano letivo de 2012; depois das procissões por eles puxadas e da grandiosa corrente de oração reivindicatória a Deus feita ao redor do Palácio do Governo pelo o atual Pontifex maximus da patota do “SINTERO somos sempre nós” e dos fieis seguidores sinteristas, “Manoelzinho”; depois de tanta apreensão e aperreio dos envolvidos: qual o resultado disso tudo hoje? O que ganhamos de fato? O que mudou em nossas vidas profissionais e pessoais? Tudo indica que apesar dele ter feito a oração a céu aberto com tamanho fervor carismático, parece que a prece dele não passou do “teto”! Brochou! O supositório de Viagra dessa oração foi comprado no Paraguai. As balas que dispararam contra o Governo eram de festim. Putz! Sabemos que o governante, diferentemente do antecessor, aumentou um pouquinho mais a gratificação, mas igualmente aos seus antecessores, não aumentou o salário. Nisso, só quem se deu bem foram os que estão dentro da escola e da sala de aula. Uma parcela significativa não teve a mesma sorte, a mesma graça: recebem seus vencimentos sem a gratificação dada aos outros, como se não trabalhassem. A única exceção são os que por razões “misteriosas” recebem uma gratificação muito especial denominada: Cargo de Direção Superior. São os famosos “CDS”: o privilegio dos privilégios de uma minúscula minoria!

2- Uma das reivindicações mais enfatizadas, faladas e mais, incomodamente, repetidas foi pela pressa, pela urgência urgentíssima implantação imediata do “novo” Plano de Cargos e de Salários dos “Orêia secas” da Educação. Uma pressa suspeita, diga-se de passagem! Mas, é sabido que os fiéis sinteristas juramentados presentes na assembléia, não se deram conta do perigo de tal exigência. Não se tocaram do quanto tal coisa requer tempo para que seja devidamente bem feita. Não se aperceberam do quanto é importantíssimo o seu envolvimento no debate desse plano, do quanto precisam estar previamente inteirados do que está em jogo para poder decidir como agir preventivamente e não cair nas arapucas ou pegadinhas dos que não estão interessados no real bem estar dos trabalhadores em educação e que fazem parte dessa comissão que está mexendo nesse plano. Pior: deixaram-se convencer pelo vigário sindical e seus cardeais a aceitarem sua procrastinação até o final do mês de julho próximo deixando tudo isso acima dito sob a sua única responsabilidade. Os sindicalizados presentes nas assembléias abriram mão do seu protagonismo. Aceitaram fazer o papel de “lesos”, de “orêia secas da educação: ovelhas!” Deixaram que a patota do “SINTERO somos sempre nós” fossem os únicos a participarem do que se discuti na comissão de reformulação da Lei 420. O cardeal albino Klosinski e a sua aliada oxigenada Matta são as duas únicas beldades designadas para representar o SINTERO junto à equipe do atual governo incumbida da revisão dessa lei ou até, a produção de uma nova tratando do mesmo assunto. O maior problema nessa história toda é a falta de uma maior representatividade e de uma absoluta transparência dos que estão lá dentro. O silêncio nada inocente dessa dupla sertaneja e do papa Manoel só levanta suspeitas e nos mostram o quanto o novo pontificado sindical continua sendo tão igual como os anteriores.

3- Os maiores interessados não estão sendo bem informado e nem sequer mal informados pela assessoria de “imprensa” do sindicato. O advogado, muito bem pago pela seita “SINTERO somos sempre nós” para trabalhar como porta voz do grupo não vem fazendo o seu trabalho a contento: informando satisfatoriamente a categoria do andamento das ações dessa comissão e dos dois representantes sindicais participantes. A categoria não sabe o que eles vêm fazendo e como vem fazendo para defender os seus interesses e que interesses de fato estão em jogo nessa tal comissão. Desde quando a greve acabou não se sabe nada a respeito, a não ser fofocas. Os que sustentam essa patota e todo o aparelho sindical são deixados a mercê deles por falta de informações. Chegamos a um ponto que para “sabermos” alguma coisa temos que ler nos sites locais ditos jornalísticos da internet, alguns inclusive, pagos pelo sindicato. Uma situação absurda, pois a categoria acaba pagando duas vezes pelo mesmo serviço. Paga caro ao burguesinho para escrever suas notas e pagam para certos jornais eletrônicos reproduzirem. Isso se chama terceirização. Depois acham que tem moral para falar da terceirização feita pelo governo: um sujo falando do mal lavado! Se da parte do sindicato só recebemos o silêncio, pior ainda quando esperamos alguma coisa parecida do Departamento de Comunicação Oficial do governo, o Decom. É pura perca de tempo, porque não passam de papagaio de pirata. Todo mundo sabe disso.

4- Mas a omissão e o silêncio da parte da “Assessoria de Imprensa” do SINTERO é de lascar! É muito mais danosa que a desinformação dos órgãos estatais. A sua patota dirigente paga caro pela manutenção de um site e mais caro ainda pelo serviço do jornalista pequeno burguês que mais parece colunista social que um jornalista. Divulga mais e melhor no facebook fotos pessoais que informações oficiais no site do SINTERO. Mas, a culpa não é dele! É de quem paga o saboroso salário dele que finge muito bem, dissimula que se interessa em manter a categoria bem informada e atualizada diariamente. Vito Giannotti, um dos maiores especialistas em imprensa sindical no Brasil, numa palestra feita no auditório do SINTERO na primeira gestão da ex-papisa Claudir Matta, alertou [tradução minha] para o fato perigoso de uma direção sindical agir desse jeito. Pior: ostentar uma estrutura física gigantesca, ter obesas sedes sociais com piscinas, campo de futebol, área de churrasco, gastar uma fortuna maior ainda com uma também não bem informada construção da nova sede central para satisfazer o narcisismo dos seus presidentes e investir uma ninharia na comunicação com os seus filiados. Isto é safadeza e das grandes! É agir da mesma forma como a imprensa privada e estatal agem; é promover a surdez e a idiotices naqueles que sustentam toda essa sacanagem disfarçada de jornalismo sério.

5- Por isso, o jornalismo da Patota do “SINTERO somos sempre nós” sempre foi chapa branca, açucarado e inofensivo. Só é “crítico” de vez em quando, quando lhes dá na telha! Quando querem, por exemplo, desqualificar seus críticos e as posições do Governo em tempo de greve. No que diz respeito a uma discussão importante como é das alterações da Lei 420 ou possível substituição por outra lei, os “paladinos” dos fiéis sinteristas juramentados, simplesmente, não dizem nada, não informam o conteúdo das discussões que ocorrem lá dentro da equipe que fazem parte, não explica os pontos de difícil compreensão, o que o governo defende e o que eles defendem lá dentro e também nem acolhem as propostas dos maiores interessados: a categoria. Nada, absolutamente nada do que aí se sucede a categoria, com exceção dos privilegiados de sempre, sabem. A dupla sertaneja de cardeais da patota dirigente designada pelo papa Manoelzinho, simplesmente não nos dizem nada, não nos dão satisfações diária dos seus atos, não publicam relatórios do que dizem ou fazem lá dentro no site oficial do sindicato. O silêncio tem sido a política adotada, um silêncio nada inocente.

6- Os critérios de noticiabilidade do Site e Informes do SINTERO só possuem uma vertente, quando o ideal seria ter, no mínimo duas: a do suposto jornalista e dos diretores sindicais. E no jornalismo sindical isso deve ser equilibrado. Segundo Danillo Assunção (2009): “Enquanto os jornalistas percebem que o trabalho de coleta e tratamento da informação está baseado em determinadas noções e métodos que são inerentes à atividade jornalística, como a preocupação com a atualidade, importância social do fato, objetividade, seriedade e honestidade nos procedimentos, os diretores sindicais estão preocupados com a lógica instrumental da informação, com a sua funcionalidade, com o seu objetivo de convencimento e mobilização dos representados”. Além de não existir dentro do SINTERO esse equilíbrio, as fontes são restritas, pois, “os jornalistas sindicais utilizam, basicamente, fontes internas. Os diretores sindicais são as principais fontes e isso faz com que os jornalistas não tenham muito esforço para obter boa parte das informações de que precisam” (Assunção: 2009). Além disso, o “jornalista” pequeno burguês do SINTERO aparenta gostar de não ter sequer esse esforço, pois, só reproduz o que a direção manda e também, parece ter abdicado deliberadamente do pensamento autônomo de que o bom jornalista deve ter. Como a direção só gosta do oba-oba das manifestações performáticas que fazem em período de greve: só conseguem promover, mesmo em seus informes e no seu site, o silêncio. Determinadas temáticas em tempo “de paz” de importância suprema para os trabalhadores da educação como é o caso da reformulação da Lei 420 nada nós é bem informado diariamente. Isso não é prioridade para esse pessoal. Basta darmos uma espiadela no site oficial dessa entidade sindical.

7- Apesar dos jornais sindicais serem um meio de comunicação que atua no palco, possibilitando a externalização oficial da posição do sindicato, nem isso nos é informado plenamente e diariamente com exaustão pelo jornalismo do SINTERO. Essa e outras informações ficam no bastidor. Por isso, a categoria tem tudo para se lascar após a aprovação dessa legislação, pois terá que obedecer algo que desconhece, inclusive que lhes prejudica, aumenta seu labor, sua dor e pouco gratifica. Pior: algo que coopera para que se tornem cada vez mais ovelhas nesse redil chamado sindicato, SINTERO. Uma vez que não fomos bem informados durante o processo de discussão da referida Lei, depois dela ser aprovada, nada mais adiantará. A categoria continuará dependente da interpretação dos Nereus e Hélios do SINTERO. Qualquer dúvida, eles serão os únicos capazes de fornecê-las como quiserem. Isso, com certeza, só lhes trazem benefícios políticos. Pois, são os únicos portadores da informação “correta”. Sendo assim, a categoria não só será prejudicada pelo Governo, mas pelo próprio sindicato que sustenta. O silêncio do SINTERO, neste e noutros casos, jamais será inocente.



Referência:

Danillo Assunção. Observatório da Imprensa em 27/01/2009 na edição 522.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/o_palco_e_os_bastidores_do_jornalismo



©DesProf.Peixoto























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