Política não é matemática. Rudá Ricci

Certa vez meu amigo mineiro Rudá Ricci me disse para separar o julgamento pessoal do julgamento político, porque a política tem sua lógica própria. Não se faz ou entende política com o fígado disse ele. Então recomendou a leitura dessa obra.  Eu espero aprender com ela e você também, ainda mais em tempo que se olha para a política com o olhar com ódio. DesProf.Peixoto. 27/05/2016

Já explicitei minha discordância (e certa irritação) com as vertentes anglo-saxônicas da área sociológica. Existe uma tentativa de explicação matemática daquilo que é imponderável e inusitado da prática social e política. Da Teoria dos Jogos aos sistemas de Parsons, não consigo me sensibilizar com esta literatura dura, cientificista. 
Um exemplo é o livro de Thomas Sowell, Conflito de Visões (cujo subtítulo é promissor: "origens ideológicas das lutas políticas"). O livro é esquemático e simplista. Força uma sistematização do conceito de visão a partir da seleção arbitrária de quatro autores (com destaque para William  Godwin, filósofo político e novelista inglês da passagem dos séculos XVIII para XIX, expoente do utilitarismo e duro crítico às instituições políticas modernas).
Tentei, mas o esquematismo simplista e a obsessão pela classificação e ordenamento de práticas de maneira absolutamente aleatória insultam a inteligência. Minha formação é, confesso, toda européia. Na PUC-SP, onde me formei, havia grande influência gramsciana. Autores como Lévi-Strauss e Karl Mannheim eram discretamente criticados. Strauss, obviamente, por seu estruturalismo. Althusser, nem preciso justificar, era odiado. As teorias sistêmicas eram consideradas... bom, nem eram muito consideradas. Fui para o CEDEC, logo depois de formado, e aí as orientações teóricas européias foram ainda mais marcantes. O CEDEC olhava as instituições a partir da dinâmica social e abraçou (ao menos na segunda metade dos anos 1980) o conceito de "novos movimentos sociais". O mais próximo das teorias anglo-saxônicas era Guillermo O´Donnell, amigo pessoal da direção do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea e que nos visitava constantemente. 
Os vinhos, que aprecio, não ajudam a mudar esta formação pessoal. Até gosto de um chardonnay da Nova Zelândia (lembremos que até pouco tempo eles produziam vinho para "matar a sede" das tropas), mas dá para comparar com vinho chileno, francês, italiano (destaco os primitivos) e espanhol? Até os portugueses da nova linhagem são superiores. E ainda me esforço para elogiar os californianos. 
Sei não. Acho que é paradigma. Visão de mundo. 

Fonte: rudaricci.blogspot.com.br/2012/02/politica-nao-e-matematica.html

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