No império do “ponhar”: Um tipinho do caipira deste lugar.


1- Há um lugarzinho, neste lugarzinho do mundo, onde o ponhar reina em absoluto. No café da manhã, almoço e jantar: é socialmente natural ouvir quase todo mundo se “ponhar” a falar. Fala-se assim com tamanha freqüência que gente da cidade grande só faz estranhar. No cotidiano desse lugar: é comum que famílias “ponham” água prá ferver e café tomar. Roupas sujas são “ponhadas” na máquina para bater e depois secar. Lá, certos donos de casas, desenganado por médicos, saem de madrugadinha prá num papé fuminho “ponhar” e escondido fumar. Roupas se põem, não se veste. Algumas de suas mulheres jamais chifres gostam de colocar preferem “ponhar”. Outras, as mais honestas, acham melhor no do marido, no C dele: “ponhar”.

2- Nesse império é comum: muitas pessoas só saberem nos outros ponhar. Sempre prá trás e atrás: nunca para frente, para que se possa andar. Quem nesse mundo não nasceu para “ponhar”: nada dele pode levar. Basta apenas su-“ponhar” algo de errado no estranho do lugar; basta apenas que ele ouse reclamar, dinheiro, cervejinha, comida, miudezas e nada mais ponhar; não dormir e acordar cedo e para o mato roçar. Basta também não ser que nem eles, para que “ponha”, rapidinho, o sujeito no seu devido lugar e ponhado ou não ponhado, vá se lascar.

3- Na política desse império só se “põem” cabra safado para mandar. Quer seja para diretor de escola ou na prefeitura ocupar. Não importa se é rico ou se é pobre: todos gostam de tipinhos feito o Cassol, Expedito Junior e Milene Mota seu voto de confiança e seu amor “ponhar”.

4- Sua religiosidade é emblematicamente carismática: Vai da quase total presença do Padre Paulo Manzotti na alma à quase absoluta ausência de Dom Antonio Possamai, o Ex-bispo da Diocese de Ji Paraná. Neste cenário, há muitos evangélicos que na alma deles fanatismos e outras bobagens não deixam de também “ponhar”.

5- Ponhar ou não ponhar: eis a questão? Para quem for para esse lugarzinho morar. Porque esse é o verbo que o tipinho caipira local costuma sobre si mesmo, seu mundinho e sua vida falar. A roça é o seu único horizonte que conseguem vislumbrar. Até mesmo o pouco de urbano que a modernidade já conseguiu “ponhar” neles não foi capaz de sublimar o enorme sentimento e pensamento de roceiro que há entranhado em todos os que vivem por lá. Um triste: “viva!” ao império do “ponhar”. Quem com ele não “ponha”, que se “ponha”, de uma vez por todas: para fora desse lugar!

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