A parrhesia dos estilões: breves considerações

O isolamento dos que estilam brincadeira: é uma forma de censura, de coarção sob as pessoas.

Acerca do episódio ocorrido na carreata pró I.C e de J.C nesta 5ª feira última dia 30 de setembro de 2010:

A guisa de introdução:



Parrhesia segundo Junior, [2009]: É uma antiga palavra grega que aproximadamente significava liberdade de falar tudo, portanto, de falar o que se pensa, uma espécie de qualidade moral exigida para saber a verdade e, assim, para comunicá-la aos outros. A autêntica parrhesia só existia onde houvesse democracia”. Esquecendo que não moro, que não estou na Grécia antiga, mas na Rondônia dos cassol’s, raupp’s, bianco’s, confuso’s e etc, uma Rondônia bem menor que a Grécia a que me refiro, ousei brincar, tirar sarro, gozar do jeito como um colega-chefe seguia a “procissão” de um desses poderosos e, parece- não tenho certeza- que pagarei um preço caro por isso. Parece que não precisarei tomar cicuta, mas, serei, de novo, condenado ao ostracismo, ao exílio ou  talvez, no mínimo, um isolamento. Ser deixado de quarentena forçada. De qualquer forma: sofrerei algum tipo de punição mesmo!


Neste momento lembro-me do meu ex-orientador do Mestrado de Ciências Humanas da UFRO quando escreve sobre o querer processar, como quem quer punir ou o querer punir, que deseja a revanche como forma de não ficar por baixo. É o ato de "dar o troco" à alguém que lhe fez mal, mas, se valendo de algum artifício tido como "legal" para que o ato não seja considerado selvagem, mas "civilizado. Para isto, se recorre ao Estado ou se utiliza das ferramentas dele se estiver ao seu serviço. É aquela figura que é capitão do Exército, que ofendida por qualquer pessoa, se valesse disso, para concretizar seu intento vingativo. Ela estaria usando de tal ferramenta. Para mim, um artifício seboso, covarde e repulsivo. Neste sentido concordo, faço minhas as palavras de Calda [2004] quando afirma: “quem pensa em processar, quem deseja o processo, quem processa é o centro do meu horror. é um tipo que aceita o estado, a lei, a ordem; que respeita deus, pai e mãe; faz parte da família, da igreja, do bairro, da cidade, do país, da gramática, do hino, da bandeira; tem um time de futebol, uma festa, um programa de televisão; gosta de corrida de carros, de ler jornais, de jogar; tem orgulho da “história do seu país”; é um tipo que jamais se sente absolutamente deslocado, desfiliado...” Apelar para justiça é acreditar que ela exista e, pior, que exista, para quem mais dela precisa neste país. Mas, todavia, não obstante, fazendo de conta que isso não seja verdade e que, neste país exista mesmo a tal “justiça”, vamos narrar um “acontecimento” segundo minha versão do que aconteceu na 5ª feira dia 30 de setembro de 2010 e, paralelamente, e tecer algumas considerações alusivas ao ocorrido. Quem sabe assim, o "ofendido", ao menos, poderá ter elementos para deixar disso ou tocar com isso.

1› Um dia antes, [4ª feira, dia 29/09/2010] meu chefe nº01, o nobre diretor da escola onde trabalho, em tom de brincadeira [assim eu considerei e prefiro continuar considerando], me convidou mais de uma vez, para acompanhá-lo na carreata que iria acontecer na cidade em favor, em apoio e em prestígio ao atual governador do estado que é candidato a re-eleição e ao “fado-padrinho” dele, ex-governador, seu antecessor que é candidato ao senado federal deste país.

2›É de conhecimento público, tanto dentro da escola como fora dela, a “voluntária” “adesão partidariamente livre” e a “opção preferencial pelas minorias bem afortunadas” deste estado representadas pela candidatura dos supracitados indivíduos por parte do meu ilustre colega de trabalho e, eventual e temporário chefe portariado por essas pessoas no exercício de suas funções constitucionais.

3› Ao término do meu expediente de trabalho a tarde na Escola, nesta quinta-feira dia 30 de setembro, como precisava fazer algumas compras no centro da cidade, peguei carona num carro de uma colega do trabalho. Além da motorista e eu, havia mais três colegas de trabalho da mesma escola descendo também. Ao todo, foram quatro professores e uma supervisora. Esta desceu na metade do caminho. Chegando ao nosso destino nos deparamos com a supracitada carreata, que por sinal, era enorme. Tivemos que parar e esperar uma brecha para podermos atravessar. Enquanto isso não acontecia, vimos bem a nossa frente: o nosso colega e diretor [pense num cabra feliz! Satisfeito?!] participando do “evento”. Pelo seu tamanho e para ele está na referida localização, certamente, precisou chegar muito cedo para não ficar entre os últimos na carreata.

4› Todos nós, no interior do carro, ao vermos o nobre cidadão, começamos a gozar, a brincar, a “tirar onda” com o papel dele naquele “evento”. Nossas gozações foram dirigidas ao comportamento dele, não a ele, a pessoa dele em si. A motorista tocou a buzina para chamar sua atenção. Eu e outro colega saímos do carro. Com gritos chamando-o algumas vezes de “pelego” até ele nos ver. Vendo-nos: sorriu e prosseguiu seguindo “devotamente” sua tão amada “procissão” e nós seguimos até, cada um dos integrantes do carro ser despachado. Terminei a tarde comprando pães para o jantar dos meus filhos num supermercado próximo também da carreata citada. No caminho para este estabelecimento comercial, vi o que parecia o ponto final da procissão política,  o "altar", digo, o palanque onde se encontrava "deus" e seu filho "ungido" abraçando os “fieis” e o andor, onde fariam  o “culto” de despedida da campanha política deles. No supermercado, topei com meu chefe número 02 onde comentei da traquinagem ocorrida, sobre a brincadeira que tiramos com o número 01.

5› No dia seguinte: sexta-feira dia 01 de outubro de 2010, a tarde, me encontrava dentro da cozinha da escola conversando com minhas colegas merendeiras sobre o tema aborto, quando me virei, o meu chefe número 01 estava encostado na porta e me mandou lhe acompanhar até a secretaria da mesma. O tom da ordem chamou até atenção das colegas. Fui. Obedeci. Dentro da secretária ele me censurou pelo o que ocorreu no dia seguinte diante de alguns colegas que estavam lá trabalhando. Entre outras palavras, afirmou que “só não me devolveria, [isto é, expulsaria num português bem claro] por causa da proximidade do dia das eleições.” Mas, após elas... Como tem sido sempre tão brincalhão quanto eu, fiquei na dúvida se estava mesmo falando a sério ou brincando, querendo me assustar. Eu até o retruquei e demonstrando não está com medo do que ele disse que me faria. De qualquer forma nos calamos. Parece que o homem levou a sério e não considerou o ato como uma brincadeira, mas como uma ofensa gratuita e deliberada contra a pessoa dele, coisa que nego veementemente. Seu gesto simboliza coisa bem maior e pior que ele, pessoalmente possa parecer. Seu gesto é representativo, exala horror, feiúra e exalta um mundinho que se recusa a morrer. Um mundinho que tem que ser corroído por qualquer tipo ácido que possa existir retórico ou não.

6› Com poucas palavras tentei, em vão, fazê-lo compreender que Sua intimidade e privacidade não foram expostas, até porque o “fato” ocorreu em público, em via pública. Violei sim: o que por ele mesmo foi e é exposto em público. Também sua honra não foi ferida, ou seja: seus atributos morais, físicos e intelectuais que o torna merecedora de apreço no convívio social e que promove a sua auto-estima foram lubrificados, polidos, exaltados. Afinal, do ponto de vista de quem manda neste lugar, o que ele fazia era o “correto”, “digno de honrarias e demais tipos de gratificações.” Ele, em procissão, exaltava o deus que ele tanto devota a sua vida. O termo “pelego” dirigido ao comportamento dele não estava lhe insultando, pelo contrário, estava elogiando aquela sua demonstração de tamanha fé naquela carreata “santa”. Ele seguia o “rebanho” orgulhosamente, parecendo-se com os crente convictos de sua salvação. Não sofreu calunia alguma, porque chamar sua atitude pelo nome que fora chamado não é um ato de exorcismo, mas de re-conhecimento do que ele fez em público. Ao, voluntariamente, assumir um cargo comissionado dado pelo governo se propôs, mesmo que negue de pés junto, a exaltá-lo e no exercício dele fazer sempre sua apologia ideológica e correr atrás de suas procissões. E promovê-lo direta ou indiretamente mesmo em tom de brincadeira e gozação no ambiente de trabalho. O termo “pelego” não feriu a sua imagem, realçou apenas, pois se chamou o “demônio” pelo seu verdadeiro nome: ”Lúcifer”. Se fosse chamado de demônio, aí sim, era uma ofensa grave, merecedora da mais profunda e dolorosa punição! Pelego é um jargão designado ao trabalhador que toma posição a favor do patrão e de si mesmo em detrimento dos demais integrantes de sua classe ou categoria social, em suma é um ser egoísta, que quer si dar bem sozinho. Neste sentido, o nobre chefe jamais foi pusilânime, mas corajoso, autêntico. Participar da carreata só comprovou isso. E, por fim, não houve censura. Não houve impedimento algum que o impossibilitasse de continuar fazendo o que se estava fazendo, pelo contrário: cada vez que se gritava com aquele adjetivo, mas orgulhoso parecias se sentir. Não era ofensa, mas incentivo. Agora tal termo seria esquisito, se a carreata fosse do SINTERO. Aí sim: seria uma ofensa capital. Mas, numa carreata do governo, cheia de outros diretores também participando? Não poderia haver termo mais apropriado e, quer saber d'uma coisa? Quem não tem o poder não censura nada e ninguém! A censura é um artifício típico de quem tem o poder, quem tem alguma coisa que lembre o poder e quem contigo gozou está muito longe disso ao contrário de você.

7› Na relação professor-diretor é evidente que o primeiro, agindo sozinho, não tem poder algum. Isto aplicado a situação ocorrida, quem exerceu, de fato, a censura não fomos nós. Não fui eu, por exemplo, que disse para mim mesmo que iria me devolver após as eleições. Isto nunca foi uma correlação de força, mas desproporção dela. No caso em questão, quando tu se vale da posição que lhe foi delegada temporariamente, para intimidar e punir o outro: isto sim é censura. Principalmente para deixar claro quem é que manda e quem pode alguma coisa e quem não pode. Tu podes livremente se bandear para o lado do “patrão”, mas sua postura não pode JAMAIS ser ridicularizada por um “subalterno”: isso fora do ambiente de trabalho, em via pública. O “subalterno” deve encarar as brincadeirinhas, piadinhas, deboches, ou seja, lá o que for como ações inocentes: puras gozações, mas o “subalterno” JAMAIS deve reproduzir essas ações para com o “chefe”! Mesmo que este jure por tudo, por todos os deuses que só estava brincando. Que era pura putaria, gozação em cima não da pessoa, mas do comportamento dela.

8› Em Pernambuco, alguém que gosta de brincar com os outros, tira sarro ou goza dos outros e quando é tratado da mesma forma ou de forma parecida, não agüenta e reagi de forma braba, desgostosa e autoritária como parece ser a reação do nobre chefe: ela é conhecida e tratada como “ESTILONAS”. Uma vez que é reconhecida desta forma, resta apenas ignorá-la, se afastar dela, se policiar diante dela, tomar muito cuidado quando estiver na sua e sob sua órbita, não mais brincar e se fingir de surdo quando ela brincar com você. Porém, há os que por medo se calam, tornam-se surdos e mudos, até aprendem a saborear, a curtir, a chegar ao êxtase “sexual” do martírio em nome de uma suposta segurança que não existe. Nada disso garante que a pessoa jamais será atingida em seus interesses, sejam eles bons ou maus.

9› A historiografia está repleta de exemplos disso, por isso, não ajo pelas costas, não sou traíra, penso, falo e escrevo o que penso, mesmo que me equivoque. Não sou covarde, nem medroso. Adoro brincar, tirar brincadeira com os outros na proporção com que brincam também comigo: é um traço da minha personalidade, da pessoa que eu tenho sido até agora. Já cometi inúmeros erros de avaliação e este pode ser mais um na história da minha vida. Considero isso algo que se tornou “natural” em mim e que pode acontecer com qualquer um, mesmo com aqueles que não gostam de brincar e nem gostam que brinquem com eles. Mesmo estes podem se ferrar também, isto me faz lembrar o nosso colega de trabalho, o prof. Januário, conhecido por se comportar como um mudo. Eu não me incluo entre esses “januários” da vida profissional. Calado ou não, posso me lascar de qualquer jeito nesta vida. Que, no mínimo, seja de um jeito provocado por mim, não pelos outros. Não posso permitir que outros me fodam a revelia, sem reação! Pelo o menos, não sofro duas vezes: por me anular enquanto ser humano e ser sacaneado por um colega, um merda igual a mim, esterco, comida de bicho, estrume que se deixa iludir por uma portariazinha igualmente de merda que desprezo com todas as minhas forças. Que peninha que você se magoou com uma brincadeirinha de bosta tirada por gente que ganha tão mal, tão abaixo de você. Por gente que não consegue compartilhar da sua incrível fé. Um bando de coitados Né?

10› “Meu patrão:” [É assim que meu irmão que mora em Porto Velho, costuma tratar e brincar com o diretor dele] Tenho a certeza que, tu pode muito bem relevar, deixar para lá, considerar o episódio como uma brincadeira, uma gozação entre quem se goza e brinca no dia a dia mutuamente. Não como chefe e subalterno. Sei que podes está me lendo agora e concordar comigo ou não. Sei que podes dar crédito quando afirmo que o que aconteceu não foi o que você pensa que foi movido pela chateação. Acredite: foi apenas brincadeira, sacanagem sem querer lhe prejudicar entre aqueles que você acompanhava. Pois, para esses, você é o cara! Defensor do “melhor” projeto para este Estado[ o projeto deles] entre seus “pares”. No pior das inúmeras leituras que se possa fazer do ocorrido, isto pode ser considerado como uma crítica infantil ao seu gesto e comportamento politicamente duvidoso naquela ocasião e nada mais. Isto se for lido desta maneira! Mas, quem escreve ou fala não tem o poder de controlar o entendimento que os outros, para quem falamos ou escrevemos, podem terApenas é possivel torçer para que seja uma leitura tranquila e que não nos cause grandes problemas. Eu não estou a fim de ser destacado neste episódio, não quero ser promovido em função dessa traquinagem: isto não tem a relevância alguma. Se na segunda-feira, você resolver me punir como disse que vai: apenas afirmar que, ao contrário do que foi dito antes, que o acontecido teve valor, importãncia e também uma tremenda relevância que merece uma revanche como resposta. E se esta acontecer mesmo, só servirá para aumentar  a minha convicção de que não faço parte do rebanho, do cardume, da boiada e isso, acredite: mim deixará com um orgulho arretado! Confirmando, de certa forma, o que Alberto diz em seu texto: “isso, independente do resultado, sempre me deu muito orgulho e prazer: o ser processado é um dos índices de diferenciação”.

REFERÊNCIAS:

*JUNIOR, Tercio Sampaio Ferraz. Parrhesia, ainda sabemos o que é? Observatório da Imprensa, 22/12/2009. http://www.observatoriodaimprensa.com.br.

Texto consultado no dia 02/10/2010.

*CALDAS, Alberto Lins. SOBRE O QUERER PROCESSAR. Contra o Brasil. Quinta Feira, 18 de novembro de 2004. http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/sobre-o-querer-processar-por-que-me.html.


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