Peixoto: Cálice! Uma versão especial da música do Chico Buarque na letra de um professor, “amigavelmente” censurado.



Confúcio! Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força, discretamente, bruta

Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil ficar calado
Se na calada do expediente eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse cinismo todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na portaria ou na cozinha, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio! Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a escola pública já não anda (Cálice!)
De mal usada só beneficia alguns poucos
Como é difícil, Confúcio, sugerir qualquer coisa (Cálice!)
Se minhas palavras ficam presas na garganta
Se não podemos fazer nada grande de verdade (Cale-se!)
De que adianta ter boa vontade
Se calado queres que tudo eu faça
e sofra que nem um filho da puta.

Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
Confúcio!  Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez a escola pública seja medíocre e pequena (Cale-se!)

Pior até que as escolas privadas de fato (Cale-se!)
A sua pedagogia, um fato consumado (Cale-se!)
Quero resistir o quanto eu agüento (Cale-se!)
Quero morrer fazendo o que acredito (Confúcio! Cale-se!)
Quero confundir de vez com as cabeças! (Cale-se!)
Minha cabeça pode até rolar com isso. (Cale-se!)
E as crenças sacanas dos que trabalham comigo (Cale-se!)
Se lasquem enfim com que eu digo. (Calem-se!)


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