O Instituto Dom Barreto em Piauí: o modelo duvidoso que o Confúcio Moura imagina para as escolas públicas de Rondônia

Eis um edital mostrando o quanto é vergonhoso ser professor no Estado onde existe a tal escola modelo do senhor Governador



1- No sábado passado dia 09 de abril no programa Via Sat TV que falava acerca dos 100 dias de governo Confúcio, o entrevistado foi o próprio Governador que, entre vários temas, citou uma escola no Piauí como o modelo que ele gostaria de ver funcionando em Rondônia. Ele citou, com muito entusiasmo, o caso do Instituto Dom Barreto em Piauí que ficou entre as melhores escolas do Brasil pelo excelente desempenho no ENEM. Disse mais ou menos assim em relação a ela: “Aquilo é que é escola! A escola que eu gostaria que as nossas escolas públicas fossem...”

2- Pesquisando melhor na net para checar se o “fabuloso” exemplo citado por vossa excelência tinha procedência, descobri que o tal Instituto Dom Barreto em Piauí, de fato, é uma instituição de boa qualidade mesmo e que teve bom desempenho no ENEM como ele citou. O governador falou a verdade, mas, não toda ela. Ele omitiu uma parte significativa. Não disse que esse instituto pertence a rede privada de ensino e que cobra R$700,00 de mensalidade de cada aluno. O modelo tão elogiado por ele não de uma escola pública, mas sim de uma escola privada! Como se não houvesse profundas diferenças entre ambas.

3- Segundo afirma o portal: http://portaldaclube.globo.com: O bom desempenho do Instituto Dom Barreto deve-se, em boa parte, ao investimento na formação e atualização dos professores. Eles não lecionam sem antes assistir a aulas com os próprios autores dos livros didáticos, contratados pela escola para ensiná-los a fazer o melhor uso do material. São obrigados também a reservar uma hora do dia à confecção de um detalhado roteiro para a aula. Longe das lamúrias típicas da classe, os professores de lá se declaram satisfeitos 80% dos professores estão na escola há mais de uma década, não são devolvidos a cada final de ano letivo simplesmente porque um idiota nomeado para o cargo de diretor não simpatiza com eles. Tem a oportunidade de fazer especializações e mestrado patrocinados pela escola, como também, tem sua a carga horária suavizada para que consigam dar conta dos cursos.

4- Os professores do Dom Barreto também concorrem a um prêmio anual, dado ao melhor profissional em sala de aula, com base nas notas dos alunos. O campeão deste ano receberá uma viagem à Europa. Ao contrário do que ocorre na maioria das escolas do país, o mérito é reconhecido - e estimulado. Os maus resultados, por sua vez, ficam em evidência. Sabendo como o sistema em Rondônia não merece crédito e é cheio de vícios de origem políotica, é de se temer que o senhor governador deseje tanto importar esse modelo que aqui pode ser transformado num pesadelo.

5- Em Rondônia, as escolas públicas, além de serem burocratizadas, são geridas por muitas pessoas mal formadas e apadrinhadas politicamente. Seu sistema é demasiadamente centralizador que impede que haja por parte das escolas da rede a autonomia necessária para que sejam dinamicamente criativas. Todas são coagidas direta ou indiretamente a seguir a cartilha das representações de ensino. Tem que se submeter ao calendário escolar por eles impostos e outras frescuras ditas pedagógicas inventadas por muitas pessoas que não sabem mais ministrar sequer uma aula, que se borram todas só em pensar de um dia ter que voltar para dentro dela.

6- O Senhor Governador esqueceu-se de mencionar também o valor do salário que tal instituto paga aos seus profissionais. É claro que eles não recebem o mesmo salário que os colegas da rede pública de ensino recebem. O salário dos professores das escolas públicas do Piauí é de R$ 559,39 por 40 horas. Ora bolas senhor governador, é sacanagem de vossa excelência querer que as escolas públicas do Estado de Rondônia tenham o mesmo desempenho e a mesma produtividade de uma escola privada e confessional como a do Instituto Dom Barreto no Piauí. É um delírio quando vemos a enormidade da desgraça do sistema local todo cheio de vícios e problemas, cuja solução, demandará anos e muita vontade política por parte de quem governa esse Estado.

7- Senhor Governador, não precisamos imitar ninguém, podemos construir o nosso próprio modelo. É difícil? Sei que é. Que tal começarmos propondo um critério? Que tal esse critério ser os Parâmetros Curriculares Nacionais tanto do Ensino Fundamental e do ensino Médio, os PCN? Critérios que tanto o senhor, como o secretário de educação até o zelador da escola sigam? O senhor sabia que os PCNs são de 1987 e que os "gênios", muitos deles cassolistas também, de dentro da SEDUC são pré-PCNs e anti-PCN? Que tal o senhor passar um pente fino dentro da SEDUC e colocar no lugar da velharia de mente estagnada que lá só esperam se aposentar, profissionais comprometidos de verdade em por em prática os ensinamentos desses Parãmetros? Este, creio eu, seria o primeiro passo para por o sistema público de ensino desse Estado numa direção promissora. Se um dia isso acontecer, a médio e longo prazo, não precisaremos sentir inveja duma escola de gente rica em público como o senhor fez.



Fonte acerca do Instituto Dom Barreto no Piauí.:  
http://www.agrobase.com.br/concursos/2011/concurso-seduc-pi-2011/





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