SEM TESÃO, ACABA-SE A PROFISSÃO...

1-Hoje eu não tenho mais tesão, pior, nervos para encarar uma sala de aula lotada e ver tantas sacanagens praticadas diariamente por outros colegas que convivem conosco, que se aliam a satanás para se dar bem à custa dos seus semelhantes. Que dedura, se vende para ser o primeiro a sair de férias e o último a retornar para o trabalho. Que vive extorquindo dinheiro dos alunos em troca de pontos na média sob o pretexto de promover projetinhos fraudulentos. Que conspira e debocha contra quem tenta agir com decência.

2-Além de ter que conviver com tantas dificuldades dentro das escolas públicas e com gente dessa laia, é difícil ter nervos para suportar tantas besteiras que se faz dentro delas. É festinha junina, semaninha da cidadania e etc. que o ex-prof. Diogo cita em seu texto. E o resultado é nos tornarmos cínicos, céticos ou buscar outra saída fora dessa distopia chamado escola. O ex-professor Diogo preferiu sair. Oxalá que um dia eu possa fazer o mesmo. Eu já tive um sonho em que ficava rico por ter acertado na loteria. E a primeira coisa que fiz foi levar um carro de som para frente do Palácio Getúlio Vargas, outro para frente da Assembléia Legislativa e outro para frente da residência do governador e tocar o dia inteiro uma música desabafo chamado: “Vá tomar no “us”! Mas, foi apenas um sonho. Quem sabe um dia isso alguém consiga realizar. Quem sabe o Diogo possa fazer isso algum dia...Enquanto esse dia não chega, fica aqui o texto de despedida de um professor que o governo e os políticos tiraram o tesão

EDUCAÇÃO NA ERA CONFÚCIO: 100 DIAS DE BLABLABLÁ!



Prof. Diogo Tobias Filho*


Se relembrarmos o programa eleitoral do então candidato Confúcio Moura em 15 de outubro de 2010 no dia alusivo aos professores poderemos inferir que se trata realmente de propaganda enganosa, um caso inequívoco de leviandade política digna de ser levada ao Procon. Nem de longe o discurso prometido passou próximo dos atos praticados até agora.

A decepção mais uma vez venceu a esperança e o mais grave, após sobrevivermos oito longos anos de espoliações, perseguições e desrespeito impetrados pelo medievalismo do flagelo da educação, Ivo Cassol que até hoje se refestela com privilégios adquiridos à custa do contribuinte.

Até na fatia da esmola que o novo governo insiste em cognominar de aumento salarial, o filósofo de Ariquemes perdeu feio para Cassol, conquanto os dois primeiros reajustes concedidos pela república da roça rolimourense tiveram percentuais mais elevados: dez e sete por cento. Caímos ingenuamente noutro engodo.

Observe-se que há diferenças culturais gritantes entre Confúcio e seus antecessores. O atual governador é dialógico, olhar matreiro, conversador e usa seu blog para diagnosticar os problemas da educação rondonienses apontando inclusive soluções. Para quem antes da posse viajou o Brasil para copiar projetos bem sucedidos, importou secretários com “vasta experiência” para algumas áreas carentes de intelectuais, imprimiu uma nomeação com a cara do setor privado na Secretaria de Educação e sucedâneos, o início de governo é relativamente pífio. Até na hora de sapecar dinheiro no pobre bolso dos funcionários, deu demais para os napoleões da burocracia que já ganham bem e uma gorjeta aos barnabés.

Cá com meus botões, penso eu: a sabedoria popular não erra, todo político calça mesmo o número 40. Se em 500 anos nenhum governante resolveu melhorar as condições da escola pública, mormente os soldos dos seus soldados-docentes, não é um cidadão, só porque tem nome de filósofo chinês, que fará alguma diferença. Em Ariquemes os professores passaram pelas mesmas agruras e desilusões durante a gestão de Confúcio.

Desiludido, resolvi por um ponto final na minha carreira de professor. Cansei de esperar o dia de felicidade que nunca virá. Passar longos anos queimando as pestanas numa universidade pra valer menos que um auxílio-moradia de um zé ruela qualquer foi um golpe duro demais pra quem já vive às turras com as adversidades do trabalho docente. Lamento que a saída não seja uma decisão coletiva da categoria. Surtiria mais efeito que qualquer greve. Quanto a mim, não sei se é um pedido de demissão ou um grito de liberdade.

Eu não preciso da docência. Quem necessita dela é a sociedade que tem de educar seus consanguíneos. Professor precisa de dinheiro no bolso para compensar a vida conturbada que leva. Se discordarem de mim, observem a maioria dos docentes de uma escola. Estão envelhecidos, cabelos enxertados de tintura, faces não mais risonhas, olhares bisonhos, à beira da depressão, corolários do efeito avassalador de uma faina desgastante.

Diante da humilhação de ter 6% a mais no raquítico contracheque, abandonei o barco da educação e juro, estou me sentindo mais leve, livre da hipocrisia de reuniões pedagógicas, liberto daquelas comemorações insuportáveis tipo festa junina, dia do professor, semana da cidadania e outras enrolações. Agora vou preencher meu ócio lendo o Confúcio chinês ao invés de perder tempo com o blablablá do Confúcio de Ariquemes que por sinal, já ultrapassou cem dias.

*O autor é ex-professor de filosofia – digtobfilho@hotmail.com


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